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A ave una
Sempre desejei falar de uma visão,
Mas quanta ignorância a minha!
Sei somente que era uma ave marinha
Por algum desígnio pousada em minha visão.
Viajava num barco apinhado
E eu era o único besta a olhar
Um ponto, aos poucos ampliado,
Até à vista geral se apresentar.
Ninguém deu a mínima para a figura
Balouçante em mar de calmaria,
Obra do Artista anônimo em escultura,
Viva manifestação de sua Poesia.
Horas a fio, inerte, oscilando sobre uma bóia.
Ou era eu mesmo transmigrado em outra Idéia?
Luiz Martins da Silva
Com 32 cantores/bailarinos no palco e acompanhamento de banda e orquestra, o espetáculo musical 'Uma Noite no Cinema' estréia integrando a fantasia e o poder de envolvimento do cinema e o talento de artistas de Brasília. O espetáculo reproduzirá, no palco, interpretações de várias cenas musicais encontradas nos grandes filmes de todos os tempos. Figurinos e cenários deixam o musical ainda mais rico.

No repertório, músicas de filmes como Mudança de Hábito, O Máskara, O Casamento do Meu Melhor Amigo, Hairspray, Flashdance, Footloose, Chicago, entre outros.
Uma Noite no Cinema
Data: Dia 19 às 21h; dia 20 às 17h e 21h; dia 21 às 16h e 20h
Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães - Sala Planalto
Ingressos: R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira).
Pontos de venda: Lojas FreeCorner (304 Sul, 308 Sul, 308 Norte,
303 Sudoeste, Brasília Shopping, Conjunto Nacional, Gilberto Salomão,
Concept) e Central de Ingressos do Brasília Shopping - já a venda.
Informações: 9812-2689
Texto publicado no jornal Correio Braziliense no primeiro caderno (opnião). Data: 16/09/08.
Derrubando muros
Valéria de Velasco
valeria.velasco@correioweb.com.br
Quando inaugurou a primeira biblioteca popular da cidade no ponto de ônibus da 512 Norte, o criador do açougue cultural T-Bone, Luiz Amorim, surpreendeu. Poucos acreditavam que os livros expostos nas estantes controladas apenas pelo sentimento de respeito a um bem público sobreviveriam à depredação e ao furto. Mas o que parecia aventura virou exemplo de que os bons investimentos vencem os preconceitos e o projeto se multiplicou. Já são 35 bibliotecas na W3 Norte, cada uma c om cerca de 600 livros disponíveis 24 horas à população — qualquer um pode levá-los para ler, sem nenhum tipo de controle, exceto o da própria consciência.
Tudo isso, em pouco mais de um ano. E por uma razão simples: no salto entre a primeira parada cultural e os 35 pontos de ônibus cobertos pelas bibliotecas populares, Luiz Amorim, que aprendeu a ler aos 16 anos e diariamente percorre as paradas renovando o acervo, não se desgrudou um instante sequer da fé na sua utopia de levar a lei tura a quem não tem como ir buscá-la por outros meios. Simplesmente, ele transformou a decisão de fazer em atitude. Enquanto isso, a semana em que se comemorou o Dia Mundial da Alfabetização, 8 de setembro, passou batida, sem que os gestores pagos com o dinheiro do contribuinte para acabar com o vergonhoso índice de analfabetismo no país apresentassem algo a comemorar. Nono lugar no ranking do analfabetismo na América Latina e no Caribe, o Brasil tem 16 milhões de pessoas com mais de 15 anos in capazes de entender o que está escrito sequer nos letreiros dos ônibus, além de 30 milhões de analfabetos funcionais — os que não conseguem interpretar o que lêem nem expor suas idéias por escrito.
Livrar-se dessa vergonha seria simples se os governantes transformassem em políticas públicas os bons projetos. Propostas não faltam, como a de Paulo Freire. Mas o método ensinava a pensar e por isso a ditadura militar deu logo um jeito de prender e expulsar do país o educador que o mundo a prendeu a admirar. Como pensar tira votos, foram se sucedendo projetos que até hoje se mostraram incapazes de virar o jogo do analfabetismo. Para Freire, a alfabetização era um processo em que os homens “assumem o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo”. Luiz, que leu o primeiro livro aos 18 anos, reedita o mestre: “O livro tem uma capacidade incrível de transformação. Com ele, podem-se derrubar muros e não precisaríamos sequer de cercas elétricas”.
Os Doze Pares de França, O Pavão Misterioso, Juvenal e o Dragão, Donzela Teodora, Imperatriz Porcina, Princesa Magalona, Roberto do Diabo, Côco Verde e Melancia, João de Calais, O Cachorro dos Mortos, A Chegada de Lampião no Inferno, Viagem a São Saruê…São livros do povo(alicerçado no pensamento do mestre Luís da Câmara Cascudo e deste poeta cordelista).Fontes da Poesia Popular do Nordeste do Brasil.Quintessências da Literatura de Cordel.
Origens do Cordel
Cordel. Vem de corda,cordão,cordial, toca o coração.
Os folhetos eram expostos em cordões,lençois, esteiras, nas feiras,praças,portas das igrejas, bancas e nos mercados. Literatura de cordel , poesia de cordel, romance, folheto(s), arrecifes, abcs, “folhas volantes” ou “folhas soltas”,”littèratue de colportage”,”cocks” ou “catchpennies”, “broadsiddes”, “hojas” e “corridos”…
São nomes que a poesia popular recebeu ao longo do tempo, na Europa e nos países latino-americanos.
No Brasil, o termo cordel se consagrou como sinônimo de poesia popular. O cordel apresenta-se em narrativas tradicionais e fatos circunstanciais, em folhetos de época ou “acontecidos”.
As origens da literatura de cordel estão na Europa Medieval.Tem suas bases na França(Provença), do século XI e posteriormente na Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Holanda e Inglaterra. Chegou ao Brasil Colônia com os portugueses, depois incorporou a poética nativa do índio, a criatividade e o ritmo da poesia do negro e dos vaqueiros e tropeiros(o aboio).Tornou-se um ritmo sertanejo-tropical,integrando-se a outros ritmos como o baião, o xote, o xaxado e o forró. Ganhou uma característica especial com o advento da xilogravura, na ilustração das capas de milhares de folhetos.
Polêmica e complexidade dos ciclos temáticos.
Os principais temas e ciclos do cordel(minha classificação) abordam vários assuntos: abcs;
religiosidade; costumes; romances; história; heroísmo(façanhas); cavalaria(vaqueiros, bois, cavaleiros,tropeiros); valores, moral e ética; atualidades; circunstâncias; fatos e acontecidos; sociais e noticiosos, louvações; fantasias(fantástico, maravilhoso); profecias, apocalipse e fim do mundo; biografias e personalidades; poder, estado e governo; política e corrupção; exemplos; intempéries e fenômenos da natureza (secas, inundações, maremotos, terremotos etc); crimes; coronelismo; cangaço, valentia, banditismo e jagunçagem(Lampião, Maria Bonita, Antônio Silvino, Corisco e Dadá, Sinhô Pereira, Jesuíno Brilhante, Quelé do Pajeú, Lucas de Feira); Padre Cícero(O Santo do Juazeiro); Frei Damião; Getúlio Vargas(Estado Novo, conquistas trabalhistas);Antônio Conselheiro(Canudos); Coluna Prestes e Revoltosos; Juscelino Kubitschek(construção de Brasília); Lula; televisão e cinema; ciência e tecnologia; Internet; crítica e sátira; humor, obscenidade,putaria e sacanagem(pornocordel); terrorismo(atentados) e guerras; modernidade e contemporaneidade; desafios, cantorias e pelejas, entre outros menos conhecidos e ainda não catalogados etc.
Classificação dos ciclos temáticos do cordel, por Ariano Suassuna:
1) “Ciclo heróico, trágico e épico;
2) Ciclo do fantástico e do maravilhoso;
3) Ciclo religioso e de moralidades;
4) Ciclo cômico, satírico e picaresco;
5) Ciclo histórico e circunstancial;
6) Ciclo de amor e de fidelidade;
7) Ciclo erótico e obsceno;
8) Ciclo político e social;
9) Ciclo de pelejas e desafios.”
Mitologia e Trovadorismo…
A Literatura de Cordel, mais que centenária no Brasil(ultrapassou cem mil títulos publicados, segundo Joseph Luyten), tem suas origens ocidentais e pré-medievais,no universo poético de Provença, França, com os trovadores albigens (com destaque para Arnaud Daniel, Bertran de Born, Guiraut de Bornelh e Rimbaud Daurenga).
http://pt.wikipedia.org/wiki/Proven%C3%A7al
Entre os trovadores portugueses, precursores da Literatura de Cordel e do Repente, vêm-me à memória Martim Soares e Paio Soares de Taiverós, além dos célebres reis-trovadores Dom Diniz e Dom Duarte.As influências sobre o cordel e a poesia popular contemporânea são multidiversas: desde a poesia mesopotâmica árabe-fenício-semítica, mediterrânea, hindu e persa, à poética egípcio - caldaica – hebréia – greco - latina e afro - indígena…
Não se pode esquecer a influência bíblica(Salmos de Davi, Provérbios de Salomão, Cântico dos Cânticos, Apocalipse), do Lunário Perpétuo, enciclopédias, dicionários, almanaques, dos grandes livros religiosos e belos cânticos de todos os tempos, presentes nas diversas civilizações ao longo do processo histórico.
Os chineses e indianos devem ter tido significativa influência nas origens e desenvolvimento da poesia popular, por sua antigüidade e por tantos escritos primordiais como os Vedas, Gita, Upanishads, Mahabarata, Ramayana, I Ching, o Zen e o Tão – Te - King, via Confúcio, Lao-Tse, Buda, Krishna, Rama e outros sábios do velho e mágico Oriente, tão incompreendido pela cultura ocidental.
A Poesia de Cordel demonstra a sua força e pujança na expressão ibero-lusitana - afro - brasilíndia e galego - castelã…Sem esquecer da verve provençal e italiana(latina). Os romanos com suas epopéias fecundaram a semente da poesia ocidental, herdada dos gregos, etruscos, celtas, gauleses, bretões, normandos, nórdicos e dos povos bárbaros da antiga Europa, Ásia e África.
Foi nesse espaço mitológico que surgiu a poética mágica de Dante e a verve inventiva do mestre Leonardo da Vinci e dos grandes artistas italianos. Entretanto, foi na Espanha de Quevedo e Cervantes(Quixote) e em Portugal de Pessoa, Camões e Gil Vicente, que o cordel ganhou feição popular e postura lítero-poética.
É na poesia cavalheiresca e trovadoresca que o cordel se inspira e alimenta-se de forma histórica, principalmente a partir dos Doze Pares da França(que retrata os tempos do Imperador Carlos Magno), das gestas e epopéias, dos bardos, apodos, Templários, da Távola Redonda do Rei Arthur, de El Cid, O Campeador, dos cavaleiros e cruzadas e da obra monumental de Camões e Cervantes, ambos influenciados por Dante Alighieri e por toda a tradição popular da oralidade greco-latina-ibero-lusitana.
Os trovadores foram os principais precursores e alicerces para a futura Literatura de Cordel nos países de língua portuguesa, principalmente no Nordeste do Brasil, a partir de Salvador-Bahia, dos portos marítimos e do Rio São Francisco, até chegar em Campina Grande, Caruaru e Juazeiro do Norte, onde criou raízes e imortalizou-se na verve dos poetas cordelistas e cantadores repentistas.
Não se pode esquecer o papel do boi(ciclo do gado), dos bandeirantes, dos jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, do negro(batuque, orixás, terreiros, candomblé), dos índios, caboclos, mamelucos, cafusos, mulatos, garimpeiros, aventureiros, lavradores, vaqueiros e tropeiros: disseminadores de costumes, falas e dialetos pelo vasto Sertão, da poesia regional e universal.Os poetas cantam a sua aldeia e desencantam os uni.versos.
A Literatura de Cordel foi enriquecida pela criatividade e maestria de Gil Vicente, Camões, Rabelais, Gregório de Matos, Bocaje, Castro Alves, Gonçalves Dias, Cervantes, José de Alencar, Tobias Barreto, Catulo da Paixão Cearense, Juvenal Galeno, Ascenso Ferreira, além da contribuição incomensurável dos trovadores provençais e do romanceiro medieval.
NOITE MUSICAL DE SOLIDARIEDADE AO TIMOR LESTE
A Biblioteca Demonstrativa de Brasília (W/3-Sul, EQ. 506/7) promove, no dia 15 de setembro, às 19h30, em parceria com o Comitê Brasiliense de Solidariedade ao Timor Leste, uma Noite Musical de Solidariedade a este país que recém conquistou a sua independência e que tendo uma história comum com a do Brasil, pertence à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
O objetivo é o de demonstrar a solidariedade dos brasilienses aos nossos irmãos do Timor Leste, país que foi ocupado militarmente por 25 anos pela Indonésia e que após conquistar a Independência, empreende esforços para a sua reconstrução e para superar seus difíceis indicadores de subdesenvolvimento. Timor Leste, ex-colônia portuguesa, também tem o português como uma de suas línguas oficiais, razão pela qual a atividade tem como meta contribuir para a formação de um acervo de livros em língua portuguesa e também de CDs de música brasileira a ser doado ao Ministério da Educação timorense e à Rádio Timor-Brasil, cujos equipamentos também foram doados àquele país da Oceania pelo Comitê Brasiliense de Solidariedade ao Timor Leste.
Será uma atividade singela: artistas de Brasília, através da música, expressarão com o seu canto e seu talento, a doação de um gesto, uma noite musical, cujo ingresso a ser "cobrado", será na forma de livros e CDs de música brasileira a serem doados e veiculados na rádio Timor Brasil. Quando da doação dos equipamentos de rádio, em julho último, também foram doados 300 CDs de música brasileira, entre os quais muitos de artistas de Brasília, alguns dos quais estarão se apresentando nesta Noite Musical de Solidariedade. Aqui estarão Célia Rabelo, Salomão de Pádua, Alysson Takaki, Márcio Bomfim, Marcelo Zanith, Nilson Lima, Myrla Muniz, Conjunto Samba & Choro, Assis Medeiros, Daniel Jr, Nelsinho, Zareh, Eustáquio, Márcia Veras, entre outros.
A Biblioteca abre suas portas também para a sua solidariedade. Já há uma rádio em Timor, onde a música brasileira e as palavras saudade, samba, batuque, fraternidade, solidariedade ecoam livremente levando o Brasil para outro lado do mundo. Agora precisamos ajudar solidariamente a montar uma biblioteca brasileira, especialmente de literatura infantil de autores brasileiros, de livros didáticos, de dicionários, como expressão de nosso desejo de uma relação cooperativa, fraterna e solidária para com os timorenses. Os nossos artistas já estão fazendo a sua parte, agora você também está convidado a oferecer generosamente a sua solidariedade.
Compareça, cante conosco e ajude a construir uma ponte cultural - feita não de tijolos, mas de livros e discos - que atravesse tanto mar que nos separa e seja capaz de unir os dois povos num dos mais nobres sentimentos da civilização humana, a solidariedade.
Maria da Conceição Moreira Salles – Coordenadora da Biblioteca Demonstrativa
Beto Almeida - Comitê Brasiliense de Solidariedade ao Timor Leste
Brevidades
[de adolescência]
Vita brevis ars longa
Sim, sabia,
Tanto quanto o sabiá sabia
Dançar tango,
Mas nesse corre
Não
Assim, já é demais.
Que seja muita vela
Enquanto espuma para
O meu casquinho, mas
O marinheiro quer
Muito mais
Mar
Navegar
Nem que seja sobre
Espelhos
Índigos oceanos de dois olhos
Que não me davam paisagem.
Estreitas paragens que não viram
O quanto eu (precocemente) me fiz homem ao mar...
Entre rochedos,
Mas...
Por mais esguia que seja
A tormenta
Das vidas que a vida têm muito
Pouco,
Muito pouco, somente um
Estalo de pipoca,
Tão fugaz quanto se foram as tardes
De domingo no parque
Tanto que nem consigo saber
Em qual das minhas infâncias me afoguei.
Na seção de tiros um único [em ti] acertei,
Mas a prenda era tão insignificante que por pouco não
Aprendi com
Tanto amor que dizias ter
Aliás, mais para ensinar do que para
Dar.
Se bem que tu mesma me roubaste:
“Ulysses, não sou Penélope...”
Mas...
Valeu
Luiz Martins da Silva
Por Aloísio Brandão,
Jornalista e compositor
(Aloísio.brandao@ig.com.br)
Eram 11 horas de 16 de julho de 2008, quando tomamos a estrada de barro poeirenta que nos levaria de Santana dos Brejos a Porto Novo, a pouco mais de 40 quilômetros. A manhã claríssima e o céu azulzinho, sem nenhuma nuvem, eram dramáticos. Afora o pó de terra fino e grudento que esta época do ano prepara nas estradas barreadas sertanejas do Nordeste e os solavancos, a viagem foi agradável e mais rápida do que eu imaginara.
A solidão transformadora daquele pedaço meio esquecido da Bahia e a conversa interminável e emocionada com o motorista Marcelinho de Lia de Pedrito no carro de quem eu viajava foram um prefácio do que eu encontraria pela frente: um belíssimo povoado perdido no tempo.
Uma hora depois, Marcelinho de Lia de Pedrito esticou o beiço e, como quem traz a mais aguardada boa-nova, anuncia: “Estamos chegando, em Porto Novo. Fica logo do outro lado desse morro, aí”. Meu coração disparou. Nem sei por que, mas disparou. Acostumado a tantas viagens, por que meu coração haveria de disparar, justo diante da notícia de estar chegando a Porto Novo?
Foi o tempo suficiente para arrumar o cabelo desalinhado pelo vento encharcado de poeira que entrava pela janela que não fechava – a do lado do passageiro -, para calçar as velhas botas Bull Terrier e ajeitar o bermudão caqui folgado. E, de repente, o lugarejo começa a obrar o seu encantamento. No início, tudo parecia um filme meio desbotado, do realismo fantástico. É Porto Novo que vem entrando em mim, sem me dar tempo para respirar.
Já às primeiras casas, dava para ver o mistério que o tempo tecera naquele povoado: o seu total desapego às horas. O carro de Marcelinho de Lia de Pedrito avançou pela primeira fileira de casas, e eu lhe pedi para que fosse o mais lento possível. Precisava amoldar-me à fôrma do não-tempo, naquele lugar.
Além do mais, sorver Porto Novo, num gole, poderia ser perigoso para a emoção. Era preciso tempo para decodificar, aos poucos, aquela ausência de tempo. Porto Novo desidratou-se de tudo o que é desimportante para se tornar a essência em povoado. Portanto, era preciso calma para a minha cabeça desapegar-se da aceleração em que vive metida e, aos poucos, absorver Porto Novo. Não seria fácil. Ali, o tempo desintegrou-se.
Marcelinho de Lia de Pedrito, com sua incrível sensibilidade para a poesia e para a música, e chegado à uma boa contação de histórias, estacionou o carro, ao fim da rua principal das quatro ou cinco ruas existentes, onde fica o restaurante de Augusto. Em verdade, um rancho de madeira com uma varanda arejada e de onde se vê, a coisa de uns 15 metros dali, o caudaloso e veloz Rio Corrente.
Aproveitamos para encomendar, logo, o almoço, pois já passava do meio-dia. Uma moqueca de peixe acompanhada de pirão, arroz e salada foi sugerida por Augusto. Moqueca, no sertão baiano, não conhece camarão.
Enquanto Augusto, descalço, nu da cintura para cima e metido num calção preto descorado, emprestava o seu capricho à preparação do almoço, fui dar uma volta a pé pelo povoado. Marcelinho não quis acompanhar-me. Reclamou do sol. E, lá, fui eu bater perna. Quanta beleza por todo lugar. As casas, pintadas em cores vivas e várias delas bem conservadas, pareciam desgrudar-se de um quadro de Volpi para se abrigar naquelas ruazinhas.
O casarão de Seu Anízio Gonçalves e D. Idália, falecidos, compadres do meu pai, Seu Benedito de Amorim Brandão, exibia o esplendor dos tempos em que era moradia de sua numerosa família, antes de ela migrar para Santana dos Brejos, no início dos anos 70. O casarão estava fechado.
Aproveitei para visitar amigos dos meus pais. Nazinha estava na cozinha, preparando um arroz, e ficou nervosa, quando me viu entrando pela porta. Nazinha é o coração em pessoa. Não sabia se ficava ao fogão, ou se me oferecia uma cadeira, uma água. Acabou trazendo-me uma pinha doce, colhida em seu quintal. Dali, ela me levou à casa de D. Nice de Isaías Araújo. Em seguida, fui à casa de Chico de Menininha. Puro jardim à beira do Corrente.
Voltei a caminhar sozinho pelas ruas. E uma carga de emoção apoderou-se de mim, novamente, quando tomei uma ruazinha margeando o rio, de onde subi para a rua principal e fui dar na igrejinha de São Sebastião, o padroeiro do lugar. Calma e ternura por todo lado. Quase ninguém pelas ruas. Um senhor, sentado em um tamborete de madeira e encostado ao tronco de um oitizeiro, quebrava delicadamente o silêncio com o seu rádio de pilha posto sobre as pernas. Cumprimentou-me com tanta doçura.
Mais abaixo, uma velha de uns 90 anos enfiava, com destreza, a linha na agulha. Parei para ver a cena, e me perguntei se aquela linha não seria adestrada para entrar na agulha, pois que a senhora não usava óculos. Já perto do restaurante do Augusto para onde eu voltava, três senhoras e uma criança desfiavam uma conversa mansa, sentadas à sombra de uma algaroba. E só. Ninguém mais pelas ruas.
Dentro das casas, de onde exalava os cheiros bons das comidas ribeirinhas pelas chaminés prenhas de picumãs, ouvia-se apenas o silêncio, entrecortado por talheres mais afoitos e ruidosos. Já passava das 13 horas. E a fome apertou.
No restaurante de Augusto, encontrei Marcelinho de Lia de Pedrito me esperando com uma cerveja. O cheiro do tucunaré ia longe. Pedi um copo e ofereci cerveja a um meio-mulato de sol, espadaúdo, musculoso e baixo, de uns 45 anos, chamado Tácio. Ele quis saber se eu era de Salvador. Disse-lhe que era de Santana dos Brejos, mas que morava, em Brasília, há 30 anos.
Perguntou-me se eu era médico. Respondi-lhe que jornalista e compositor. Aí, ele saiu de fininho, com a sabedoria dos velhos sertanejos e, minutos depois, voltou, trazendo um violão e vários amigos. Pedi-lhes apenas uns minutos, enquanto saboreava a comida de Augusto. Eles já haviam almoçado, pois que, naquela beira de rio, em pleno sertão nordestino, almoça-se muito cedo.
O peixe servido por Augusto foi um acontecimento à parte. Aquele cabra pareceu-me um mágico na cozinha. O tucunaré era tucunaré e não uma invencionice gastronômica dessas que acabam virando um monstrengo sem gosto, nem personalidade. O peixe de Augusto estava preparado com a brandura dos entendidos: pouco tempero, pouco sal, o que fazia sobressair o sabor do peixe em postas sem ranço, sem aquele gosto barrento de alguns peixes de rio.
O pirão, uma tentação! Obviamente, que Augusto se prevaleceu da qualidade da farinha de mandioca bem torrada, parida nas farinhadas de Santana dos Brejos, para extrair dela o melhor sabor e a textura exata para o pirão. O arroz estava ligeiramente molhado e deixava sobressair pequenos pedaços de alho bem passado. A salada era simples: alface, tomate e cebola em rodelas.
O Corrente, ao lado, deslizava-se, fartamente, formando redemoinhos e desafiando uns meninos que pulavam em flecha dos galhos duma árvore à margem. Pouco à esquerda, via-se uma ilha plena de verde. Próximo ao restaurante, do outro lado da rua, num rancho sem paredes, alguém alheio a tudo dormia profundamente numa rede.
Nenhum carro, nenhuma moto, ninguém vendendo bugigangas importadas, nenhum barulho. Só o aparelho de som de Augusto dava um sinal sonoro, tocando Maria Bethania, bem baixinho, naquele mundo que os mapas turístico e socioeconômico não alcançam.
O que veio, após a última garfada, naquele ambiente delicadamente rude, foram o violão e os cantares. Cantei para eles composições minhas. Eles retribuíram, cantando trabalhos seus e de outros compositores. Saiu “A volta do boêmio” (Adelino Moreira), imortalizada na voz de Nelson Golçalves, e outras.
Porto Novo tem uma meia dúzia de ruas e uns 3 mil habitantes. É distrito de Santana dos Brejos e foi onde o Município nasceu. O Rio Corrente margeia a lugar e desemboca, no São Francisco, a uns 80 quilômetros dali, num povoado chamado Gameleira, Município de Sítio do Mato, pertinho de Bom Jesus da Lapa (BA).
Sempre desconfiei de que a ruazinha que surge do nada, em meus sonhos, há mais de 20 anos, fosse uma daquelas ruazinhas de Porto Novo.
Mais tarde, Tácio perguntou-me ao pé-de-ouvido: “Você vai escrever alguma coisa sobre Porto Novo? Eu fico com medo de Porto Novo ser descoberto, de isso aqui encher de gente e acabar a nossa paz”. Falou, como se desejasse que ninguém lesse este texto.
Escandalosos crepúsculos ( * )
Amo sertões e veredas,
Aos brados reverencio
Profundas brenhas da América
Fazendo nascer grandes rios
Enigma destas paragens
Que, em ânsias de infinito,
Cruzam no mesmo horizonte
Céu, Terra, Água, Fogo e mito.
Ah! Se por aqui houvera
Passados os olhos de Whitman
A recontar do Universo
Luxúrias em grandes escritos!
Quanta coisa a enumerar
Para compor um poema
Dos leques do buriti
À flor da canela-de-ema.
Mas quando cheguei por aqui,
Mesmo sabendo parlendas,
Não é que me enamorei
De estranha flor do cerrado?
E agora relendo passados,
De toda essa gente heróica,
Candangos, paus-de-arara,
Corridos das secas do ‘Norte’
Verei meus filhos crescidos,
Mas sem haver de inferir
Quanta estrada para um homem
Até se arranchar por aqui.
Quanto verso e quanta prosa
A desvendar destes céus
De dia, escassez de nuvens;
De noite, perfumes de flora.
Mas só pra quem vive de ocaso,
Patético semblante de louco,
Aparece lua branda de um lado;
E um disco laranja do outro.
Luiz Martins da Silva
* Dedico este poema-mosaico [antigo, mas reescrito] a tantos artistas amigos que têm, sem saber, feito em conjunto um único texto-mito (mitopema?) deste outrora sertão Centro-Oeste e que nestes versos irão flagrar alguma citação de seus estilos próprios.
Ora, valho uma nota de mil;
Ora, nem barro de porco.
Às vezes, sou reles e vil;
Às vezes, sou mesmo louco.
Avesso
Luiz Martins da Silva
Súplica
Todo dia, a petição,
Todo dia, o lero-lero.
Afinal, por que não dão
O que tanto pede o quero-quero?
Luiz Martins da Silva
Sentimento cerrado
Guardarei para sempre indelével aonde for
Estas patéticas paisagens tingidas de crepúsculos,
Estas noites agônicas de brisas vindas da Lua
E tão somente a nos proteger lassos orvalhos
Que logo desfalecem face à aparição de luz maior.
Ele, heliocêntrico, retinto, rútilo disco faraônico
Não tolera nuvens no seu salão azul de audiências,
Onde impõe cegueiras de narinas ressequidas,
Alérgicas à profusão de invisíveis cepas de rarefeitos pólens,
Mas ótimos para pintura corporal de seriemas e calangos.
E eis que surgem, tímidos, em meio à savana,
Aqui, acolá, um lobo, um anum, um carcará,
Cada um saiba de si, no sufoco, araçá, jenipapo, graviola, murici.
Aqui, acolá, num torto galho, ipês roxos e amarelos
E as esquálidas, mas elegantes se floridas, canelas-de-ema.
São, assim, silvestres estilos metamórficos todo o ano
Até virar folinhas desidratadas alimentando labaredas
A lamber vastidões na missão de estourar esporos
Que ao primeiro cio da terra se desdobram em rebentos.
Ramagens novas: sucupiras, quaresmeiras, guarirobas, caliandras.
Guardarei para sempre este cinema que me faz interior,
Alma de solo calcinado cor pó de cimento,
Que à primeira chuva se exagera na oferta de aromas,
Por todos os lados brotações de mimos,
É quando a pretexto de cajuzinhos a campo saímos
Feito bichos ainda há pouco escondidos em troncos queimados,
Tudo que era cinzas muda de pele para novos encontros.
É a vida, de novo colibri, sabiá, bem-te-vi, serigüela, cajá-manga,
Alaridos de convites. É a natureza musical dos amantes.
E o deserto? Redimindo-se em promessas de aguaceiros e torrentes.
Luiz Martins da Silva
IV Festival de Música Instrumental e Arte Popular de Cavalcante-GO-23 e 24/08 de 2008 - PETROBRAS
O IV Festival de Musica Instrumental e Arte Popular de Cavalcante será realizado em 23 e 24 de Agosto,sábado e domingo na Praça Central Diogo Teles.O tema é Água. Como em todos as outras edições com muita paz e alegria com atrações musicais de BSB e da Cidade(leia abaixo)e Arte popular, Sessão de Cinema, Exposição de Artesanato e as comidas e bebidas típicas da região.Tudo isso sob o olhar amoroso das montanhas e a brisa tépida da Chapada!
TERTÚLIA À LUZ DE VELAS comemora lançamento

18 de julho de 2008, sexta-feira, a partir de 20h, o TEATRO OFICINA DO PERDIZ estará em festa. É que, nesta dia, a nova versão do PROJETO TERTÚLIA À LUZ DE VELAS, acontecerá em comemoração do lançamento do livro Bordado para iniciantes, poemas de DONALDO MELLO e imagens de Inês Sarmet.
O poeta estará autografando os livros e estudantes-atores da Faculdade Dulcina de Morais, interpretarão poemas do livro, sob direção de Marcos Pacheco. Iluminado com os novos candelabros que o Per-diz está terminando de confeccionar, o público está convidado a participar de um interessante evento cultural e brindar o nascimento do Bordado para iniciantes, de DONALDO MELLO. Mas também a chegada de um novo tempo para o TEATRO OFICINA DO PERDIZ. Excelente oportunidade para a noite de sexta-feira, 18 de julho!
Local: TEATRO OFICINA DO PERDIZ
Por Sandra Fayad
A PREPARAÇÃO:
O espaço disponível - 200 m² - corresponde à parte frontal de três residências na Quadra 713 Norte, em Brasília, limitada aos fundos pelas casas e à frente por calçada e rua de trânsito intenso de veículos. A área encontrava-se abandonada, cheia de entulhos, restos de obras ( pedras, cimento, ferros, tinta de paredes, tinta de ferragens, vidros, plásticos), totalmente imprópria para agricultura.
O primeiro passo foi a remoção de todo o material misturado à terra e transformação do solo improdutivo em solo limpo, terminando com um pequeno período de descanso.
Em seguida, iniciamos a fase de revitalização da área, através de tratamento da terra (aplicação de matéria orgânica, poda de árvores, combate aos formigueiros e cupinzeiros existentes) . Novo descanso.
Como o solo possui uma inclinação de mais de um metro, nos seus dez metros de largura, providenciamos o seu nivelamento e formatação dos canteiros em formas e tamanhos variados, já que existem diversas árvores frutíferas e ornamentais no local.
Na seqüência, definimos os locais de plantio, de acordo com as necessidades de cada tipo de mudas ou semente, obedecendo à sua necessidade de sombreamento, luz solar, umidade, capacidade de expansão, considerando também que necessitarão resistir ao excesso de água no período chuvoso e à falta de umidade no período da seca. São duas fases bem antagônicas que afetam diretamente a produção local.
A IMPLANTAÇÃO:
Para interagir com o público e criar um ambiente convidativo à participação dos transeuntes e vizinhos que circulam na área, improvisamos uma pequena decoração e a fixação de um mural com informações sobre as plantas, reportagens na imprensa sobre a Horta Comunitária Urbana (HCU), poesias e textos afinados com a atividade; disponibilizamos formulários para cadastramento voluntário, caixa de correspondência, recipientes para doações, locais para oferta e retirada de mudas e folhagens, mediante pequenas doações em dinheiro na caixa de correspondências (auto-serviço).
Observamos também que era necessário providenciar a proteção das matrizes das plantas mais tenras e das frutas (mangas e jambos) que caem sobre a calçada e a HCU na primavera. Instalamos, então, um telado em forma de cobertura de cabana de índio (apoiado em bambus) entre a copa das árvores e o solo.
O apelo à sensibilidade das pessoas resultou na entrega à HCU de plantas abandonadas e doentes para recuperação. Estamos implantando o hospital de plantas e tem surgido demanda para a implementação do hotel para plantas, por parte de pessoas que viajam, reformam, mudam-se de residência ou ficam temporariamente impedidas de cuidar delas. Estamos analisando esta hipótese.
Na HCU, damos tratamento diferenciado para as plantas doadas. As orgânicas, que não admitem uso de agrotóxicos, e ornamentais, que admitem uso de agrotóxicos, ficam separadas e recebem atenção de acordo com sua origem e antecedentes.
A MANUTENÇÃO:
Fazemos vistoria diária com recolhimento de materiais trazidos pelo vento ou depositados na área por transeuntes descuidados, o que tem ficado cada vez mais raro. São sacos plásticos, potes, garrafas, papéis de balinhas ou bombons.
Para conquistar os animais que freqüentam a HCU: aves (pombos, sabiás, beija-flores), borboletas, calangos, lagartixas, nós lhes oferecemos alimentos como alpiste, ração, compostos e água doce.
Construímos um minhocário, com as dimensões de 2 m x 1,5 m x 0,80 m, onde os amigos da horta depositam sobras, como cascas de frutas e legumes e folhagens, para a alimentação das minhocas que já produziram considerável quantidade de húmus em uso na HCU.
Adotamos o sistema de reciclagem de vasos plásticos e de cerâmica e de garrafas pet em três modalidades: transformação em vasos para mudas, delimitação de canteiros (repelente de formigas e cupins) e embalagem para as poesias, que enfeitam o local
A HCU produz suas próprias matrizes ( sementes e mudas), que são colhidas e transformadas em novas mudas ou canteiros.
Constantemente re-avaliamos, re-adubamos, fazemos rotatividade de cultura, utilizamos a comunicação visual e desenvolvemos a sensibilidade e a percepção sutil para detecção de necessidades de cada espécie e fazemos o atendimento sutilmente solicitado pelas plantas.
Participamos de eventos, realizamos palestras e orientações pré-programadas ou não e aceitamos convites para participação em atividades afins.
A EXPANSÃO (Projetos):
a- Coleta de água das chuvas na área urbana, a partir dos telhados das casas e prédios, com canalização para reservatórios, de onde será distribuída para os pontos de irrigação, através de gotejamento e/ou pulverização, conforme a necessidade de cada área plantada;
b- Abastecimento do reservatório através de caminhões pipa, com programação sistemática de atendimento durante o período da seca;
c- Elaboração e implantação de projeto paisagístico padronizado e institucionalizado.
d- Implementação de centenas de Hortas Comunitárias Urbanas semelhantes no Plano Piloto e Cidades Satélites do Distrito Federal com extensão para todo o território nacional.
A CONCLUSÃO:
Horticultura é muito mais que um empreendimento comercial ou atividade profissional. Horticultura é um processo de integração entre os seres humanos, plantas e animais. É um hábito de vida que exige dedicação para se obter resultados a curto, médio e longo prazo, como praticar exercícios, alimentar-se adequadamente.
Horticultura Urbana ou Rural deve ser objeto de atenção e apoio institucional, logístico e técnico, sem burocracia e sem demora, sob pena de não poder mais ser viabilizado.
Águas das chuvas que correm pelo asfalto da cidade arrastam consigo todo o lixo gerado nos centros urbanos, que vão contaminar a água que consumimos nos mananciais dos rios próximos e no subsolo, provocando doenças já erradicadas, alergias e até a morte prematura. Portanto, é urgente que se pense em uma solução a curto prazo para este e outros problema, se quisermos que as duas próximas gerações cheguem saudáveis ao planeta e nele permaneçam em condições adequadas de sobrevivência e longevidade.
Neste caso, não há milagres à vista. Deve haver ações responsáveis.
Obs: matéria publicada em 02.07.2008 no Jornal Impresso “Diário de Catalão”.
Tempo de seca,
Ar rarefeito.
Nos pára-brisas
Dramático apelo.
“Lave-me!”
Luiz Martins Silva
jornalista e professor do Departamento de Jornalismo da UnB
A arte e o tempo ou o tempo na arte
Em torno da arte há muitos rótulos e rotuladores. A arte nunca está em paz. Apesar dos rótulos, a arte não está reduzida a nada. Ela prossegue imbatível.
A arte é a arte! E é o que queremos que seja arte. Duvida? Desde que alguém e mais alguém e mais alguém, de preferência em épocas distintas, concordem, isso ou aquilo será arte (Desde que o tempo assine embaixo!).
A poesia é arte? Nós queremos que seja, então é.
O futuro dirá? Não quero olhar para o futuro e interrogar aos comentadores do passado sua ilações.
Em arte o que importa é o momento. O tempo do momento. Nada mais.
Poesia é experimento
Não confio numa poesia profissional. Imagina se a poesia não experimentasse? É o que tem feito, desde Homero ao poeta mais contemporâneo, desde o jardim do Éden até as portas abertas da Pasárgada.
Em que isso interfere na arte poética? No diálogo mudo entre forma e conteúdo. Não consigo entender a falta de diálogo entre forma
e conteúdo. A liga dos dois é o conflito. Por haver diálogo, acontece o conflito. (até eu corro o risco de entrar em conflito comigo mesmo. Quando isso ocorre, eu me suicido. Já aconteceu várias vezes.) O diálogo é feito de símbolos.
Há muitos símbolos para solucionar conflitos e promover a comunicação, ou vice-versa. Eles estão aí. E toda a linguagem é pouca. Os símbolos e nós. Somos essencialmente símbolo. A temática da experimentação é sou eu x eu estou no mundo. Para me divertir e não entrar em parafuso, utilizo o teclado do computador. Esses caracteres possibilitam tanta comunicação!
Por Edvandro Pessoato
Taguatinga
50 anos de história soterrada
Neste 05 de junho, cinqüentenário de Taguatinga, percebo que conhecemos muito pouco de nós mesmos. Sabemos que a
cidade abrigou trabalhadores braçais e de outras atividades socialmente desprestigiadas. Mão-de-obra
imprescindível para a construção de Brasília. Mas a história dessa classe de gente não entra nos livros ou
conteúdos escolares de seus filhos. Nem em museus e bibliotecas.
Os ricos nada constroem, mas determinam o que os trabalhadores devem construir e também o que devem
estudar. Se a escola ensinasse o valor do trabalho e revelasse que esse valor não é pago a quem trabalha,
provocaria revolta e luta por um pagamento justo. Então, as escolas devem ensinar aos pobres justamente o
contrário: como se comportar pacificamente diante da exploração. Ensinam a obedecerem a leis e a autoridades
que formulam essas leis sob o patrocínio dos ricos.
Por ter origem em operários e trabalhadores de serviços largamente explorados, a história de Taguatinga não é
estudada nem exposta pelo sistema oficial. Tudo que aqui é feito por iniciativa de seu povo, fica restrito à memória
dos que participaram. Mas é preciso chamar esses autores de sua própria história a contá-la e a cobrar do Estado a
criação de meios para estudá-la e divulgá-la.
Enquanto o Estado não assume essa responsabilidade, alguns militantes culturais de Taguatinga se esforçam para
registrar bons momentos vividos pela cidade e também algumas iniciativas de luta. Foi isso que fez Ivaldo
Cavalcante ao longo de toda a sua trajetória de fotógrafo da cidade. Algumas de suas fotos históricas estão expostas
no Taguatinga Shopping até o dia 22/06. Outro registro cultural da cidade que merece atenção é o que faz a
revista da Tribo das Artes desde 2000. Em especial, a última edição, de junho, com um pouco da história da
Associação de Arte e suas atividades nos anos 90. Assim, revelamos o que somos capazes de fazer quando nos
reconhecemos coletivamente.
Augusto Cacá

No último dia 11, o idealizador do Açougue Cultural T-Bone, Luiz Amorim, foi um dos convidados palestrantes no 6º Encontro de letras da Universidade Católica de Brasília.
O encontro ocorreu entre os dias 9 a 11 de junho e prestou uma homenagem aos 400 anos de nascimento do Pe. Antônio Vieira, aos 100 anos de morte de Joaquim Maria Machado de Assis e aos 100 anos de nascimento de João Guimarães Rosa.
Amorim apresentou a história do açougue que revolucionou a cultura de Brasília para um auditório lotado de estudantes curiosos sobre o projeto. A recepção dos alunos foi a melhor possível, após a palestra surgiram várias perguntas e, sobretudo, elogios pela iniciativa.
O Distrito Federal vive um momento singular em sua história cultural. Ainda penando pela falta de uma política cultural para o setor digna do nome para a Capital do Brasil, nossa cidade, seus artistas e produtores culturais fazem sua parte e transformam a cidade em imensos teatros a céu aberto - vide a última noite cultural T-Bone com quase 15.000 pessoas circulando por uma entrequadra, para assistirem Terra Prometida, Célia Porto e Banda e A Blitz, fantástico!!! – e a noite de Brasília cada vez mais diversa e com a qualidade natural de nosso celeiro de talentos efervescente! A Secretria de Estado da Cultura com apoio da Comunidade Cultural conseguiu emplacar uma vitória inacreditável: Vincular 0,3% da receita líquida do GDF, para o Fundo de Arte e Cultura! Isso significa a injeção de 27 milhões de reais, em valores do PIB do GDF hoje, em torno de 9 bilhões de reais, para a atividade-fim da Cultura no DF, gerando a expectativa de uma verdadeira revolução! O FAC até então tinha seus recursos alocados da arrecadação dos próprios do GDF e uma parcela do TARE, acordo entre GDF e Atacadistas, que chegava, no auge dessa relação, em modestos 6 milhões de reais. O problema era que não havia critério na distribuição dos recursos e os Secretários de Cultura abusavam das prerrogativas dos Projetos Especiais sacrificando os projetos da comunidade pulverizando os recursos, numa óbvia intenção de não ver nada crecer a não ser aqueles apoiados pelo Secretário de Plantão.
Agora temos a esperança e a fazença que esse modelo de fazer cultura está definitivamente ultrapassado. Foi publicado no Diário Oficial, pela Nova equipe da Sevretaria através da Subsecretaria de Políticas Culturais sob o comando de Tetê Catalão, alguns critérios para utilização dos recursos do FAC que transcrevo abaixo:
CONCEITO DE CULTURA publicado no EDITAL 2007
“ Esta Secretaria de Estado pauta suas políticas públicas de Cultura pela ênfase
no processo amplo de relações, criação e invenção da sociedade.
Sem discriminar classes, grupos, gênero, etnias e linguagens estéticas estas políticas são aliadas profundas das ferramentas educacionais (pela formação e capacitação) em que os mecanismos da arte e da cultura atuem e cresçam em suas respectivas cadeias produtivas sem desconsiderarem valores simbólicos e imateriais.
Tais práticas sejam coerentes com a diversidade brasileira e a liberdade de expressão; propiciem a ampliação do acesso à informações em diversos suportes; multipliquem espaços, equipamentos e meios de comunicação para a dinamização e a potencialização da criação e produção brasilienses (sem perda do diálogo nacional e internacional"
NOVOS CRITÉRIOS DO FAC
Portaria 01 de 26 de setembro de 2007/DO 189 1-10-2007, pag 23
Parágrafo Primeiro – As Comissões Especiais procederão à análise dos projetos segundo os seguintes critérios:
a – considerar a qualidade e ineditismo dos projetos sem que isso venha prejudicar os espetáculos de repertório, contanto que as remontagens contribuam com releituras e novos enfoques e avancem no processo de formação e informação de pessoas e grupos;
b – observar na qualidade do projeto a sua exposição fundamentada, argumentação conceitual, justificativas, documentação de apoio (foto, cd, dvd, artigos, textos etc), metas, detalhamento de execução das contrapartidas e desdobramentos na comunidade, mais a parte técnica em planilha de custos, cronogramas de implantação, gestor responsável e currículos dos integrantes, consultores e parceiros;
c – observar no ineditismo também o caráter experimental de linguagens (vanguardas) fora do mercado, tais como ações do patrimônio imaterial, memória, educação patrimonial e expressões da cultura popular que contenham valores da diversidade cultural;
d – atender projetos que beneficiem de forma direta as comunidades ou regiões menos favorecidas no acesso à exibição, utilização e circulação pública das produções e dos bens artísticos e culturais. Entenda-se como beneficio os diversos desdobramentos dos espetáculos, produtos e/ou mostras em oficinas, seminários, saraus, palestras, debates, visitas guiadas e demais formas de expressão decorrentes do compromisso com a integração entre cultura, arte, educação e cidadania;
e - projetos que ofereçam contrapartidas que possibilitem a multiplicação do fazer, saber e o pensar cultural da comunidade do DF estejam eles discriminados em oficinas sejam de iniciação, básicas, intermediárias ou avançadas. Um Sistema de Oficinas da Secretaria de Cultura deverá absorver tal demanda seguindo um banco de contrapartidas que melhor atendam a comunidade em seus diversos níveis de necessidades.
f – considerar projetos que assegurem também a participação de novos talentos da cidade sem que isto impeça o reforço a talentos já reconhecidos;
g – permitir a continuidade de projetos que tenham atingido relevância comprovada no reforço do processo cultural do Distrito Federal, principalmente os que contenham identificado compromisso com a formação e capacitação da comunidade, mais a geração de emprego e renda de profissionais;
h – valorizar primordialmente projetos de grupos ou autores locais;
i – considerar o plano de divulgação dos projetos para que espetáculos, mostras e ou produtos possam ser otimizados em suas chances reais de alcance e visibilidade e assim ampliem a possibilidade de acesso ao público e reforcem o processo cultural do DF;
CONCEITO DA DIVERSIDADE CULTURAL BRASILIENSE
Brasília existe pela decisão humana. É cultural na essência. É cultura desde a vocação geopolítica para ocupar a região central do país; é cultura ao nascer de um genial projeto de traço e urbanismo; é cultura ao conter original patrimônio artístico em arquitetura e monumentos e é cultura pelo suor e a seiva das pessoas que aqui chegam, de todas as regiões. É o humano que legitima o patrimônio cultural da humanidade. Pessoas criam a cidade viva em sua imensa rede plural de identidades. Brasília é cultura ao criar um caldo de colagens na convivência e testemunho da magnífica diversidade brasileira.
É cultura muito mais pela intervenção em um revelador espaço natural ou por inaugurar um novo tempo histórico de relações políticas, sociais, econômicas. Brasília é cultura por reunir os "brasis", celebrados aqui, pela soma e sumo de saberes, produtos, fazeres, técnicas e pensares de um brasiliense mestiço, em construção, misturado feito o Brasil.”
. Nesta segunda feira às 15 horas temos uma reunião fundamental com a Secretaria de Estado da Cultura e sua equipe na Sala Alberto Nepomuceno para, democraticamente, discutirmos a editalização dos novos recursos do FAC, tendb esses critérios como base! É cristalina a diferença de atitude e de proposta das gestões passadas. Queremos concretizar, ou melhor, como bom candango pioneiro que sou, concretar essa proposta, com a realização de um Seminário de Cultura voltado para a institucionalização desse pensamento, para que nunca mais fiquemos a reboque dos humores dos governantes de Plantão. Viva Brasília, Viva o DF, Viva a Cultura Brasileira!
Maestro Renio Quintas
Homenagem aos Namorados...
Enamorar no dia-a-dia:
Noite e dia namorar...
No universo do desejo
Conjugar o verbo amar
Transmutar-se em alquimia:
Num beijo se eternizar...
Amor ser substantivo
Que faz tudo transformar
Guerra é falta de Amor
Faça a Paz multiplicar
Ame aqui-agora...sempre:
Para a vida melhorar...
Vê-se o Amor na Natureza
É tão belo se amar...
Vivencie amor e paz
Deixe o coração sonhar...
Ame a vida...Frutifique:
O prazer nos faz voar...
Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br
O Bruxo do Cosme Velho
Joaquim Maria Machado de Assis:
Do Morro do Livramento...
De um moleque baleiro:
A Gênio e ás no talento...
Mago da Literatura:
Luzeiro do Pensamento...
21/06/1839:
Deu-se o seu nascimento...
Veio ao mundo no Rio:
Na Quinta do Livramento...
Mestre Machado de Assis:
Expressão do pensamento...
Francisco José de Assis:
Maria Leopoldina Machado...
Genitores do Escritor:
Mestre, acadêmico, letrado...
A gênese do romancista:
Tenho comigo anotado...
Bem pequeno ficou órfão:
De sua mamãe querida...
Foi-seu o pai logo depois:
Uma machadada na vida...
Maria Inês, a madrasta:
Deu-lhe amor, pão e guarida...
Não podia estudar:
Nem teve acesso à escola...
Era vendedor de bala:
Para não pedir esmola...
O preconceito era grande:
Ainda não havia bola...
Sacristão de Lampadosa:
Aprendeu latim-francês...
Estudou o alemão:
O idioma inglês...
Se estivesse por aqui:
Falaria até chinês...
Garoto pobre-mulato:
Na Capital Federal...
Época de febre amarela:
Mínima era industrial...
Tudo era importado:
O Brasil era quintal...
Padre Silveira Sarmento:
Incentivou a Machado...
Um menino inteligente:
Logo se tornou letrado...
Para sair do sofrimento:
Da triste vida de gado...
Veio de família pobre:
Persistente e esforçado...
Teve aos 16 anos:
Um poema publicado...
O livreiro Paula Brito:
Contratou nosso Machado...
Londres ditava a moda:
Imperava a escravidão...
Fabricaram a dívida externa:
A capital submissão...
E Machado no cenário...
Fluía arte e criação...
Publicou o soneto era "Ela":
Que grande coisa não era...
Na Marmota Fluminense:
Deu asas à quimera...
Foi caixeiro e vendedor:
E um revisor bem fera...
Na Marmota Fluminense:
Começou a escrever...
Era 1855:
Como pude perceber...
Até 1861:
Colaborou pra valer...
Ano 1856:
Tipografia Nacional...
Manuel Antônio de Almeida:
Influência natural...
Até 1858:
Aprendizado literal...
Tornou-se ajudante:
Do Diário Oficial...
Registro em periódicos
Sua obra inicial...
Trabalhou em Ministério:
Foi primeiro-oficial...
Colaborou na Imprensa:
No Correio Mercantil:
Diário do Rio de Janeiro:
Machado a mais de mil...
Jornal da Tarde, O Globo:
Na Capital do Brasil...
No Jornal das Famílias:
E na Revista Brasileira...
Na Gazeta de Notícias:
Sua prosa de primeira...
Semana Ilustrada, O Cruzeiro:
Machado na dianteira...
1866:
Carolina chega ao Rio...
(Irmã do poeta Faustino):
Sempre foi mulher de brio...
Foi na vida de Machado:
Sol, poesia, amore mio...
Ministério da Agricultura:
Oficial de gabinete...
Gostava de circular:
Pela Rua do Catete:
E no Largo do Machado:
Bebia Café com Leite...
Em 1869:
Casou-se com Carolina...
Machado, quase gago:
Escritor de bela sina...
Lutou contra o preconceito:
E conquistou a menina ...
Machado é Rio Antigo:
Cosme Velho - Ouvidor...
Na Rua dos Andradas:
Exercitou o Amor...
Com a musa Carolina:
Um romance alentador...
Histórias da Meia-Noite:
O livro Ressurreição...
Morou na Rua da Lapa:
Início da trans.formação...
Na Rua das Laranjeiras:
Deu-se a iniciação...
Poesia, Americanas:
A musa a lhe inspirar...
Crisálidas foi o início:
De um poeta a germinar...
Gil, Job e Platão:
Pseudônimos soube usar...
Falenas...Ocidentais:
Helena...A Cartomante...
Histórias sem Data...Contos:
Machado sempre adiante...
O Alienista...Missa do Galo:
Pulsa alto como Dante...
Teceu a Mão e a Luva:
A obra Iaiá Garcia...
Fez os Contos Fluminenses:
Estudou Filosofia...
Histórias da Meia-Noite:
Reflexos do dia-a-dia...
A crítica de Araripe:
Mostrou-se a má vontade...
Machado ultrapassou:
Toda a criticidade...
Foi além e transmutou-se:
Em ouro da imortalidade...
Vitor de Paula...Job:
Max e depois Lara...
Publicou com vários nomes:
Uma obra que não pára...
Criativo e talentoso:
Flui o gênio que Deus dara...
República e Abolição:
O grito da liberdade...
Combate à escravidão:
Ares de civilidade...
Época de Realismo:
De nova sociedade ..
Poesia nova, realista:
Distante do Romantismo...
Campanha abolicionista:
Marx e o Comunismo...
Machado além do Real:
Bebeu no Naturalismo...
1878-79:
Em Friburgo, temporada:
Tratamento de saúde:
Novo alento na jornada...
Eis um novo escritor de obra:
Prima...Vera - madrugada...
Memórias Póstumas de Brás Cubas:
Arte de lapidação...
Texto de engenharia:
Sentimento e emoção...
Criatividade à flor da pele:
Deu asas ao coração...
Publicou Memórias Póstumas:
Na Revista Brasileira...
É um livro essencial:
Que marca a sua carreira...
Na Gazeta de Notícias:
Foi cronista de primeira...
Memórias saiu em livro:
Destaque para Machado...
Publicou Papéis Avulsos:
Texto bem elaborado...
Rua Cosme Velho, 18:
Muito bem acomodado...
Em Machado há ironia:
Dúvida e questionamento...
Capitu traiu ou não?
A resposta voa ao vento...
O Amor tudo ultrapassa:
Revela-se o sentimento...
Oficial da Ordem da Rosa:
Por decreto imperial...
Diretor de Viação:
Várias Histórias, afinal...
Machado se consagrou:
No cenário nacional...
Fundou a Academia:
Logo eleito presidente...
Quincas Borba reflete:
Um escritor sapiente...
O romance Dom Casmurro:
Eis um livro consciente...
Cadeira 23:
Da Brasileira Academia...
José de Alencar, patrono:
Machado o enaltecia...
O mestre de Iracema:
Machado sempre o lia...
13 comédias ligeiras:
A verve de dramaturgo...
Tu, só tu, puro amor:
Foi além de taumaturgo...
Fez Lição de Botânica:
Um texto pra demiurgo...
Velhas Histórias escreveu:
Contos, Páginas Recolhidas
Fez Poesias Completas:
Suas obras sempre lidas...
Vejo os seus personagens:
Por praças e avenidas...
20/10/1904:
Morreu a sua Carolina...
Companheira solidária:
Fraterna e diamantina...
Amada de toda a vida:
Uma perda repentina...
Romance Esaú e Jacó:
Fez-se a publicação...
Relíquias de Casa Velha:
Processo de elaboração...
Em 1906:
Teve a editoração...
Relíquias de Casa Velha:
Dedicou a Carolina...
"Ao pé do leito derradeiro":
Soneto de verve fina...
Uma pérola na poesia:
Além da prosa cristalina...
1/06/1908:
Pediu licença Machado...
Para tratar da saúde:
Estava debilitado...
Memorial de Aires, romance:
Foi o último publicado...
3h20, 29 de setembro:
Morte do grande escritor...
Em 1908...
Foi-se embora o criador
Saudado por Rui Barbosa:
Magistrado e orador...
Cronista -Teatrólogo:
Poeta, crítico literário...
Jornalista, pensador...
Decifrou o dicionário...
Shakespeare tupiniquim:
Mestre do vocabulário...
Ficou a obra-prima:
Grandiosa, genial...
Há muito influencia:
A cultura nacional...
Machado eternizou-se
No cenário universal...
100 anos sem Machado:
E ele sempre presente...
Sua arte é escultura:
Que orgulha nossa gente...
É cânone da literatura:
Do Ocidente ao Oriente...
Seu romance transcendeu:
Para além da dialética...
É obra de bom calibre:
Que equilibra a ética...
É pedra filosofal
Quintessência da estética...
Gustavo Dourado. Poeta e cordelista baiano.brasiliense. Letras(UnB).
Pós-graduação em artes, literatura, teatro, gestão e linguagens artísticas.
Autor de 11 livros. Premiado na Áustria. Selecionado pela Unesco.
Tema de teses de mestrado e doutorado
www.gustavodourado.com.br
http://cordel.zip.net
www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/gustavodourado.htm
Por Sandra Fayad
O T-BONE que era só açougue,
Agora é açougue inteligente.
Inventou carne com cultura,
Organizou uma grande festa,
Mandou convite pra toda gente.
Contratou para a aventura
Livros didáticos com seresta,
Fábulas com xilogravura,
Romances de grandes poetas,
Declamando para escritores
Sobre dança e escultura.
Mas na festa do T-Bone
Convidado não vai à festa
Nem com convite pelo megafone.
A festa proposta pelo T-bone
É na parada da W3,
Com letras recitadas pelo microfone,
Com notas despencando do saxofone,
Onde o convidado - dia e noite –
Esperava um dia ter vez.
Na Parada Cultural do T-Bone
Há versos declamados pelo microfone.
Há encontros com textos e poesias
Na voz de quem nem tem telefone.
Na Parada Cultural do T-Bone
Você chega por qualquer das vias,
Entra sem tocar o interfone
E sai com livros e alegrias.
(Lei nº 9.610/98 -Todos os direitos autorais reservados)
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/