Categoria: Coluna do Fafão

30.09.07

Permalink 16:40:59, por admin Email , 196 palavras, 181 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna do Fafão

Para evitar o estresse

Para o estresse evitar
A sabedoria ensina:
Sentar, beber, conversar
No "buteco" da esquina.

Mas qualquer "buteco", não!
Tem que ser de qualidade
Com bons bancos no balcão
E que nos deixe à vontade...

Com vagas pra estacionar
E garçom bem humorado
Servindo sem reclamar
O chope e o destilado

Que nos traga sem apelo
Chope gelado, afinal,
Uísque com muito gelo
E boa água mineral

Que o vinho seja esperto
(bom buquê para o nariz)
Ponto de táxi por perto
Pra gente beber feliz

Tira-gosto saboroso
Quentinho e feito na hora
E com cenário vistoso
Das moças do lado de fora

Um cantinho pra purrinha
É coisa primordial
Uma privada limpinha
E entrada sem degrau

Não pode ser barulhento
(vou dizendo de passagem)
Pra que todos possam ouvir
Piadas de sacanagem

A freqüência é liberada
Para qualquer cidadão
Só não vale gente chata
Porque dá indigestão

É importante também
Que o preço seja barato
Pois se a gente bebe bem
Ninguém é rico de fato

Que o caixa seja equipado
Com cabide e sensatez
Que é pra turma pendurar
A conta pro fim do mês.

15.05.07

Permalink 13:58:19, por admin Email , 419 palavras, 153 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna do Fafão

PRISÃO DOMICILIAR

Há exatamente uma semana eu estava completando 47 anos de idade. Mas isso não tem a menor importância. Estou contando só para lembrar que sou do tempo em que jornal em açougue era somente para embrulhar carne. Hoje confesso que fico pasmo ao ver a Casa de Carnes T-Bone publicando esse jornalzinho tão querido e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para eu escrever essas minhas coisinhas. Obrigado Luiz Amorim , você é mesmo inovador.

Hoje estou muito comovido, olhando a lua, quase cheia, brilhando por trás das grades da minha janela. É que acabo de chegar de um encontro com a escritora Zita de Andrade Lima, que me conhece de outros carnavais (de outros carnavais mesmo, quando me via acompanhando o bloco do Pacotão dentro daquele buggy vermelho que acabou morrendo lá em Recife, me deixando assim cheio de saudade). Além de tudo foi noite da primeira chuva aqui na Asa Norte. Uma chuva rápida mas forte e, por isso mesmo, muito importante, depois da umidade relativa do ar descer aos níveis do deserto.

O encontro com Zita, seu filho e sua nora transcorreu na maior paz. Trocamos nossos livros, bebemos umas taças de vinho branco, chocolate com conhaque, enquanto ouvíamos Eugênio Matos, escondidinho com seu teclado, ali no cantinho do bar, mostrando um pouco do que gravou em seu último CD intitulado Reflexões.

Sem querer plagiar os versos de Noel Rosa, prossigo dizendo que “ela foi embora e os dois ficaram”, aliás, os dois ficamos , Eugênio e eu. Ele tocando e eu ouvindo. Ouvindo e lendo os contos de Zita, pois não pude resistir àquele título mais que sugestivo: “Pássaros Embriagados”.

Abri na página do Toquinho, que é a história de um menino endiabrado, um Tom Sawyer bem brasileiro, onde a autora nos ensina muito sobre amar.

O conto acabou, o vinho acabou, a música acabou, a noite acabou. Voltei pra casa. Só me restou a lua, por trás das grades da minha janela. Como vocês sabem, as janelas precisam ter grades para nos proteger da violência das ruas.

A lua por trás das grades? Mas o que é que estou dizendo?

Nós, em nossas casas, é que estamos por trás das grades. Êta mundo maluco!

Zita, por favor, escreva mais para eu me distrair aqui na minha prisão. Luiz, você precisa conhecer esse pessoal.

Texto escreito por Fafão de Azevedo, em 12 de setembro de 1997.

06.05.07

Permalink 19:26:37, por admin Email , 304 palavras, 181 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna do Fafão

EU CONHEÇO UM LUGAR...

Fafão de Azevedo - Jornalista e poeta

Lá pras bandas de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, pertinho da divisa com o Distrito Federal, existe um sítio chamado Refazenda.

Propriedade de um simpático casal onde, não faz muito tempo, se iniciou uma criação de carneiros para corte.

Estive lá no início do mês de setembro onde pude desfrutar o frescor da famosa “chuva do caju”, uma pancada d’água que cai no auge da seca para felicidade geral do cerrado, baixando consideravelmente a temperatura e aumentando a umidade relativa do ar.

Ao chegar fomos saudados por latidos, miados e balidos da bicharada residente. Isso sem falar no canto da passarada que se aglutina por ali, às margens do rio Antinhas.

Pouco depois veio se aproximando seu Nenzinho, o caseiro, um verdadeiro apaixonado por esses animaizinhos voadores.

Cumprimentou os patrões, acompanhou-os até o curral para mostrar que passava bem o cordeirinho recém nascido, descarregou a caminhonete, foi ao pasto testar o sistema de bombeamento d’água, voltou e abancou-se na varanda para relatar as notícias da semana.

Aceitou uma pinga do norte e depois de uns minutos de prosa desceu pro pomar com a recomendação de colher os frutos de um mamoeiro que estava carregado.

Regressou com dois mamões de bom tamanho mas ainda verdes. Antes que fosse questionado argumentou apontando, com o dedo, o pé da planta que ainda ostentava dois frutos visivelmente maduros:
- Ói, dona... eu não trouxe aquele lá de cima porque os passarinhos ‘tão comendo.

- E aquele outro amarelinho, mais embaixo, os passarinhos também estão comendo? – indagou a proprietária.
- Não ‘tão comendo mas vão comer, dona Carolina... a senhora entende, né... eles não sabem plantar...

Fafão de Azevedo

Projetos Culturais T-Bone

Este BLOG é um espaço aberto aos amigos convidados pela T-Bone para publicar seus textos de temas livres, além das notícias do dia-a-dia da ONG. Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo publicado. Boa leitura! Luiz Amorim

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