|
Vai trabalhar vagabundo
Uma fome tinhosa me espeta
Com cabos de rosas.
Sorvo o aroma das espinhosas,
E do alho a pipocar nas vísceras.
No esticar involuntário das vistas,
Espio o rodopiar de toalhas,
Pratos, talheres e patos aprumados
E o farfalhar de copos fartos.
Recolho minha alma encardida.
Lambo os beiços secos,
E em jejum, adormeço.
Mel Ribeiro
Cegueira Social
A cegueira magistral
Corrompida e inapta
Intranqüiliza a massa.
Entre pratos macarrônicos
Servidos a gosto, olhares lacônicos
De crápulas, se entremeiam.
Nesse diabo de embaraço
Larápios de vidas pródigas
Dão as costas ao povo
E se abarrotam de molho.
Nossa estressada Bandeira
Tremula e sangra o colostro
Sugado por verdugos.
Mel Ribeiro
Que Seja
Ambivalente
Sem parcimônia
Enlace sem cerimônia
Alheio ao tempo.
Anseio.
Que seja,
Perdulário sempre
Desatinado e amotinado.
Almejo.
Que seja,
Soberbo desafiador galante
Comandante imperativo arrogante.
Ordenança do vigário ou revolucionário.
Quero.
Que seja,
Destaque no lar
A luz ou meia luz, pródigo
Alquimista anarquista pacifista
Ensejo.
Que seja,
Consangüíneo ou sensual
Infante senil jovial
Primitivamente roubado.
Expresso.
Que seja,
Preposto propósito
Unidade universal.
Brindo ao amor plural.
Honesto.
Apresentando-me Nesse grande desafio de pretensa poetisa entro de cabeça nas minhas veladas emoções. Vasculho os meus porões buscando a mim mesma. Dentre as minhas poucas certezas, encontro algumas que considero valiosas. Uma delas é a desenfreada paixão pelas palavras escritas, bem ditas, espero. Estavam guardadas e encaixotadas. Foi um árduo trabalho para desempoeirá-las e trazê-las de volta. Hesitei bastante, mas hoje estou convicta de que seguirão seu curso despreocupadamente.
Costumo dizer que fui rebatizada, pois recebi um novo nome ao iniciar minhas produções literárias. Incorporei Mel Ribeiro, por que pessoas muito especiais assim me chamaram/chamam. Um deles acompanhou de perto essa minha louca aventura, encorajando-me e fazendo-me crer que seria capaz. Não tenho palavras para agradecer ao grande amigo Gilson Gonçalves. Na verdade, sinto-me muito bem com essa identidade.
Entretanto, nada faria sem uma prévia familiar. Tornei-me resoluta quando me apoiaram incondicionalmente. Confesso que me senti aliviada, pois a minha mente não pede mais licença para usufruir das palavras. E afinal, nada pretendo senão transmitir minhas emoções.
Atualmente, um de meus prazeres é viajar de gôndola no oceano de internautas, e me dar ao luxo de desnudar a alma de poetas expostas em saborosas vitrines. Nessa trajetória, descobri que mesmo sem simetria posso mostrar meu coração com poesia.
Considero-me uma poetisa de quintal pretensiosa doando ao mundo seu maior tesouro. Orgulho-me disso, visto que é meu laboratório de emoções, paixões, tensões e explosões. É dele que saltarão palavras, com ou sem censura, contando o que vivi, senti, observei e absorvi. Mel Ribeiro
O tempo passa, mas os ideais não
Foi prazeroso receber o convite e desafio de um ilustre amigo no sentido de me engajar e tentar contribuir com a maravilhosa Casa Cultural T-Bone. O fato de conviver e conhecer profundamente a garra desse grande empreendedor da cultura brasiliense fez com que me posicionasse sem refletir sobre a responsabilidade ora assumida. Aprendi a admirar e respeitar o idealista Luiz Amorim há cerca de aproximadamente 20 anos, quando em momentos acalorados discutíamos sobre os representantes de nosso país e também sobre o distanciamento desses na educação das massas...
Num flash-back, lembro-me de que em determinado momento de nossa história fomos vítimas de um boicote de carnes. E é com muita satisfação que lhes digo que não sofri tal retaliação. E não me perguntem por que. O fato é que sem amigos torna-se impossível sobreviver...
Bem, aos poucos tentarei relatar um pouco do caráter e da trajetória desse amigo admirável do qual me orgulho muito pelo simples fato de que continua exatamente do jeito que o conheci.
Este BLOG é um espaço aberto aos amigos convidados pela T-Bone para publicar seus textos de temas livres, além das notícias do dia-a-dia da ONG. Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo publicado. Boa leitura! Luiz Amorim
| Dom | Seg | Ter | Qua | Qui | Sex | Sab |
|---|---|---|---|---|---|---|
| << < | > >> | |||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | |||
| 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 |
| 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 |
| 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 |
| 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | ||