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IV Festival de Música Instrumental e Arte Popular de Cavalcante-GO-23 e 24/08 de 2008 - PETROBRAS
O IV Festival de Musica Instrumental e Arte Popular de Cavalcante será realizado em 23 e 24 de Agosto,sábado e domingo na Praça Central Diogo Teles.O tema é Água. Como em todos as outras edições com muita paz e alegria com atrações musicais de BSB e da Cidade(leia abaixo)e Arte popular, Sessão de Cinema, Exposição de Artesanato e as comidas e bebidas típicas da região.Tudo isso sob o olhar amoroso das montanhas e a brisa tépida da Chapada!
O Distrito Federal vive um momento singular em sua história cultural. Ainda penando pela falta de uma política cultural para o setor digna do nome para a Capital do Brasil, nossa cidade, seus artistas e produtores culturais fazem sua parte e transformam a cidade em imensos teatros a céu aberto - vide a última noite cultural T-Bone com quase 15.000 pessoas circulando por uma entrequadra, para assistirem Terra Prometida, Célia Porto e Banda e A Blitz, fantástico!!! – e a noite de Brasília cada vez mais diversa e com a qualidade natural de nosso celeiro de talentos efervescente! A Secretria de Estado da Cultura com apoio da Comunidade Cultural conseguiu emplacar uma vitória inacreditável: Vincular 0,3% da receita líquida do GDF, para o Fundo de Arte e Cultura! Isso significa a injeção de 27 milhões de reais, em valores do PIB do GDF hoje, em torno de 9 bilhões de reais, para a atividade-fim da Cultura no DF, gerando a expectativa de uma verdadeira revolução! O FAC até então tinha seus recursos alocados da arrecadação dos próprios do GDF e uma parcela do TARE, acordo entre GDF e Atacadistas, que chegava, no auge dessa relação, em modestos 6 milhões de reais. O problema era que não havia critério na distribuição dos recursos e os Secretários de Cultura abusavam das prerrogativas dos Projetos Especiais sacrificando os projetos da comunidade pulverizando os recursos, numa óbvia intenção de não ver nada crecer a não ser aqueles apoiados pelo Secretário de Plantão.
Agora temos a esperança e a fazença que esse modelo de fazer cultura está definitivamente ultrapassado. Foi publicado no Diário Oficial, pela Nova equipe da Sevretaria através da Subsecretaria de Políticas Culturais sob o comando de Tetê Catalão, alguns critérios para utilização dos recursos do FAC que transcrevo abaixo:
CONCEITO DE CULTURA publicado no EDITAL 2007
“ Esta Secretaria de Estado pauta suas políticas públicas de Cultura pela ênfase
no processo amplo de relações, criação e invenção da sociedade.
Sem discriminar classes, grupos, gênero, etnias e linguagens estéticas estas políticas são aliadas profundas das ferramentas educacionais (pela formação e capacitação) em que os mecanismos da arte e da cultura atuem e cresçam em suas respectivas cadeias produtivas sem desconsiderarem valores simbólicos e imateriais.
Tais práticas sejam coerentes com a diversidade brasileira e a liberdade de expressão; propiciem a ampliação do acesso à informações em diversos suportes; multipliquem espaços, equipamentos e meios de comunicação para a dinamização e a potencialização da criação e produção brasilienses (sem perda do diálogo nacional e internacional"
NOVOS CRITÉRIOS DO FAC
Portaria 01 de 26 de setembro de 2007/DO 189 1-10-2007, pag 23
Parágrafo Primeiro – As Comissões Especiais procederão à análise dos projetos segundo os seguintes critérios:
a – considerar a qualidade e ineditismo dos projetos sem que isso venha prejudicar os espetáculos de repertório, contanto que as remontagens contribuam com releituras e novos enfoques e avancem no processo de formação e informação de pessoas e grupos;
b – observar na qualidade do projeto a sua exposição fundamentada, argumentação conceitual, justificativas, documentação de apoio (foto, cd, dvd, artigos, textos etc), metas, detalhamento de execução das contrapartidas e desdobramentos na comunidade, mais a parte técnica em planilha de custos, cronogramas de implantação, gestor responsável e currículos dos integrantes, consultores e parceiros;
c – observar no ineditismo também o caráter experimental de linguagens (vanguardas) fora do mercado, tais como ações do patrimônio imaterial, memória, educação patrimonial e expressões da cultura popular que contenham valores da diversidade cultural;
d – atender projetos que beneficiem de forma direta as comunidades ou regiões menos favorecidas no acesso à exibição, utilização e circulação pública das produções e dos bens artísticos e culturais. Entenda-se como beneficio os diversos desdobramentos dos espetáculos, produtos e/ou mostras em oficinas, seminários, saraus, palestras, debates, visitas guiadas e demais formas de expressão decorrentes do compromisso com a integração entre cultura, arte, educação e cidadania;
e - projetos que ofereçam contrapartidas que possibilitem a multiplicação do fazer, saber e o pensar cultural da comunidade do DF estejam eles discriminados em oficinas sejam de iniciação, básicas, intermediárias ou avançadas. Um Sistema de Oficinas da Secretaria de Cultura deverá absorver tal demanda seguindo um banco de contrapartidas que melhor atendam a comunidade em seus diversos níveis de necessidades.
f – considerar projetos que assegurem também a participação de novos talentos da cidade sem que isto impeça o reforço a talentos já reconhecidos;
g – permitir a continuidade de projetos que tenham atingido relevância comprovada no reforço do processo cultural do Distrito Federal, principalmente os que contenham identificado compromisso com a formação e capacitação da comunidade, mais a geração de emprego e renda de profissionais;
h – valorizar primordialmente projetos de grupos ou autores locais;
i – considerar o plano de divulgação dos projetos para que espetáculos, mostras e ou produtos possam ser otimizados em suas chances reais de alcance e visibilidade e assim ampliem a possibilidade de acesso ao público e reforcem o processo cultural do DF;
CONCEITO DA DIVERSIDADE CULTURAL BRASILIENSE
Brasília existe pela decisão humana. É cultural na essência. É cultura desde a vocação geopolítica para ocupar a região central do país; é cultura ao nascer de um genial projeto de traço e urbanismo; é cultura ao conter original patrimônio artístico em arquitetura e monumentos e é cultura pelo suor e a seiva das pessoas que aqui chegam, de todas as regiões. É o humano que legitima o patrimônio cultural da humanidade. Pessoas criam a cidade viva em sua imensa rede plural de identidades. Brasília é cultura ao criar um caldo de colagens na convivência e testemunho da magnífica diversidade brasileira.
É cultura muito mais pela intervenção em um revelador espaço natural ou por inaugurar um novo tempo histórico de relações políticas, sociais, econômicas. Brasília é cultura por reunir os "brasis", celebrados aqui, pela soma e sumo de saberes, produtos, fazeres, técnicas e pensares de um brasiliense mestiço, em construção, misturado feito o Brasil.”
. Nesta segunda feira às 15 horas temos uma reunião fundamental com a Secretaria de Estado da Cultura e sua equipe na Sala Alberto Nepomuceno para, democraticamente, discutirmos a editalização dos novos recursos do FAC, tendb esses critérios como base! É cristalina a diferença de atitude e de proposta das gestões passadas. Queremos concretizar, ou melhor, como bom candango pioneiro que sou, concretar essa proposta, com a realização de um Seminário de Cultura voltado para a institucionalização desse pensamento, para que nunca mais fiquemos a reboque dos humores dos governantes de Plantão. Viva Brasília, Viva o DF, Viva a Cultura Brasileira!
Maestro Renio Quintas
A Cultura do Distrito Federal amanheceu hoje mais cinza e mais triste. Uma de nossa guerreiras mais ilustres, lutadora pela afirmação de uma Cultura Candanga e Brasileira, nos deixou, e foi brilhar em outro Céu. Uma pequena homenagem a Lais Aderne.
Abs muita Arte,
Renio Quintas
Navio Presente
(Lais Aderne 1937-2007)
Hoje o mar levou
um navio cheio de presentes
levou a menina
que navegava com os sonhos na ponta dos dentes
levou em varias caixas
pois em uma só não cabia
O mar recebeu sorrindo
em ondas de alegria
foi navegar pela inglaterra
passando pelo porto de joão pessoa
levando na bagagem um sabiá
que ainda canta e voa
no meio do oceâno
Havia numa ilha chamada Brasília
De lá rumou sua quilha pra parar em belem do pará
diamantina enviava sua filha
que mesmo em terra só sabia navegar
enquanto ela navega
quem fica em terra parcela a saudade pelos dias do resto da vida
Alçando velas e bandeiras brancas na hora de sua partida.
Autor: Pierre Aderne
O Governo Arruda carrega consigo a grande responsabilidade de recolocar o Distrito Federal, no seu patamar histórico de pólo irradiador de uma cultura brasileira, destino final do sonho dos criadores e idealizadores de nossa Cidade, que foi relegado ao esquecimento e ao desmonte sistemático e continuado!
Com seus vários sotaques, esse caldeirão fervilhante que recebeu e recebe contribuições do simbólico de todo o Povo Brasileiro, está hoje na UTI, respira por aparelhos e não morreu por que nós, Artistas, Produtores e demais atores da Cadeia Criativa e Produtiva, jamais permitiremos que Brasília seja a vitrine vazia da Cultura Brasileira.
É necessária uma urgente reformulação no modelo de gestão da Cultura Brasiliense.
O desafio que se apresenta é grande. Precisamos aprofundar o ainda incipiente conhecimento que dominamos dos números de nosso PIB Cultural. Precisamos implementar políticas de Estado pensando em agregar, incluir e descentralizar, criando mecanismos de escoamento de nossa rica produção cultural e sua distribuição, investindo em nosso mercado interno, com a circulação dos bens culturais, como, por exemplo, ouvir a rica música de Brasília ser cada vez mais executada nas Rádios públicas e que sejam ouvidas novamente nas rádios comerciais, sem o triste e empobrecedor jabá, espetáculos de dança e de teatro em cartaz, exposições de obras de arte itinerantes conjugado com exibições de filmes ao ar livre, utilizando em um primeiro momento uma inevitável e enriquecedora parceria com a Secretaria de Estado da Educação, com sua vasta rede de Escolas com ótimos auditórios, com a revitalização de sua rede de televisão, aproveitando o boom tecnológico para implantação deuma Web TV e projetando desde já, para o futuro, a construção de Teatros nas demais Regiões Administrativas de Brasília completamente carentes de próprios culturais.
Vamos apresentar às autoridades econômicas, que sempre pensam a Cultura como problema ao invés de solução, que nossa atividade é investimento e não despesa! Colocar as crianças nas ruas com oficinas de criação e de musicalização infantil, colocar os adolescentes nas ruas criando cursos de capacitação e profissionalizantes em parceria com o Sebrae e com o Sistema S, tirando-os da frente da televisão, monocultura do despensamento, com raras exceções, e do ócio, cão e gatilho da arma da maldade, são possibilidades reais de uma dinâmica que só a Cultura é capaz de agregar. A Cadeia produtiva da Cultura é uma realidade econômica com vida e velocidade próprias que ocupa, agrega, enriquece a auto-estima da população, gera cidadania, riqueza, gera empregos e recolhe impostos.
Os Artistas e Produtores de Brasília vem se articulando, debatendo e discutindo há mais de dois anos, a nível nacional, em parceria com o Ministério da Cultura no âmbito das Câmaras Setoriais de Cultura para subsidiar a implementação do Sistema Nacional de Cultura, onde o movimento cultural de Brasília se mostrou presente pressionando de forma dramática para a realização da Conferencia Distrital de Cultura, que encaminhou delegados do Distrito Federal para a 1.ª Conferencia Nacional de Cultura, cujas decisões e encaminhamentos ainda se encontra adormecido nos desvãos da burocracia, ainda aguardando a tão esperada reestruturação da Secretaria de Estado da Cultura, capitaneada pelo Jornalista Silvestre Gorgulho, com seus quatro valorosos paladinos: Beto Sales, Antenor Junior, Tetê Catalão e Alexandre Menegale. Sim amigos, esta é uma Guerra Santa!
Com esse amadurecimento, o Fórum de Cultura do Distrito Federal começa a dar os primeiros passos na direção da consolidação da Frente pela Cultura no Distrito Federal, trabalhando para agregar todas as forças da inteligência da nossa Cultura para estabelecermos estratégias para sua revitalização e fortalecimento.
Além dessa ação coletiva, no cenário musical especificamente, criamos a Associação dos Músicos do Distrito Federal e Entorno, hoje com mais de 200 associados, no intuito de fortalecer, repensar e desenvolver nossa capacidade de gerar demandas para políticas públicas para a cultura, junto com as demais linguagens que criaram e mantém vivos e atuantes os seus fóruns e associações. Entregamos em solenidade realizada no Foyer da Sala Villa Lobos ao representante da Secretaria de Estado Da Cultura, que se encontrava presente - Antenor Gentil Júnior - documento elaborado por nossa Assembléia em reuniões que vinham desde o final do ano passado com propostas para a implementação de políticas públicas para a Cultura e ações de curto, médio e longo prazos.
No limiar de completar seus 50 anos, Brasília, nossa jovem senhora, tem toda a chance de dar um salto espetacular em direção ao seu próprio futuro. Cultura é cidadania, Cultura é Paz, Cultura é Educação, Cultura é riqueza e geração de empregos. Temos Esperança!
Renio Quintas é maestro, pianista, arranjador, compositor, produtor musical e secretário de relações institucionais da ASSOM/DF.
Este BLOG é um espaço aberto aos amigos convidados pela T-Bone para publicar seus textos de temas livres, além das notícias do dia-a-dia da ONG. Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo publicado. Boa leitura! Luiz Amorim
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