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Treze de maio um domingo, dia das mães, dia da abolição.
A esse continente sofrido massacrado esquecido mãe de todas as raças, de todas as culturas, útero da humanidade.
A esse continente que viu o seqüestro de seu povo, o sofrimento, a saga, a escravidão de um povo cuja cor da pele traçava negras tatuagens marcadas pelo chicote e cicatrizadas a ferro.
A esse continente mãe dos ritmos, dos requebros, das alegrias, das vitórias do povo brasileiro.
A essa África mãe geradora de mães fortes, mulheres guerreiras sofridas pela imposição, pelas perdas, pela exclusão, pela não oportunidade, a essas mães renascidas ao dar a vida.
Marias, negras no cotidiano. Treze de maio, domingo dias da mãe só um poema.
Mães do Treze de Maio
Negras da casa grande
castas mães com filhos
da criação aos cuidados
Negras sem preço
presas ao passado
livres do pecado
das senzalasNegras sem nomes
Negras sem marias
Negras mães sujeitas à sorte
negras mãos que lavram
que afagam
que unemMulheres guerreiras
cativas e libertas
Negras, discriminadas
amadas e respeitadas
Negras mães de leiteNa África agricultoras
mulheres interlocutoras
outrora escravas de casa
outorgam a luz da vidaSantas mulheres mães
negras como a noite
brilham como o solMorrem pelos seus filhos
vivem para os seus filhos
Mães, negras no cotidianoUm Axébraço
Este BLOG é um espaço aberto aos amigos convidados pela T-Bone para publicar seus textos de temas livres, além das notícias do dia-a-dia da ONG. Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo publicado. Boa leitura! Luiz Amorim
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