Categoria: Coluna Sandra Fayad

20.07.10

Permalink 09:59:52, por admin Email , 1110 palavras, 47 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

MELÃO DE SÃO CAETANO

Sandra Fayad

Nas últimas matérias enviadas ao jornal fiz algumas referências ao Melão de São Caetano, que a Dra. Sarah Abrahão afirma ser a planta usada para curar todos os males, na sua juventude, em Catalão.
História
Trata-se de uma planta de origem asiática, trazida da África pelos escravos. Seu nome de batismo é momordica charantia e seu nome popular no Brasil é Melão de São Caetano. A denominação nasceu do fato de escravos, residentes na região das minas de ouro em Mariana (MG), cultivarem essa planta ao redor de uma capelinha, cujo padroeiro era São Caetano e de seu fruto se parecer com um melão.
Fisicamente a planta surge a partir do cultivo de sua semente de cor vermelho vivo, ou espontaneamente quando esta cai em solo úmido e se desenvolve. Ainda tenra, apresenta folhas dentadas cor verde claro. Cultivada próximo a uma cerca ou alambrado, desenvolve-se rapidamente e seu cipó, juntamente com as folhas, vai subindo em direção ao sol como qualquer trepadeira. Em pouco tempo produz flores brancas e delicadas, que se transformam em novos frutos. Estes são inicialmente de cor verde claro. O crescimento e o amadurecimento lhes dão o tom dourado, quando se abrem ao sol para mostrar graúdas sementes úmidas cor de cereja, que em contraste com a polpa esbranquiçada, a casca amarela e as folhas verdes do cipó, oferecem aos olhos um espetáculo impossível de ser ignorado. As sementes comestíveis são muito apreciadas pelos pássaros e por crianças, por serem belas e saborosas.

Aplicações

No Brasil, recebeu outros apelidos como erva de lavadeira, porque as escravas usavam o chá de suas folhas para clarear as roupas. O mesmo chá era usado para banhos em parturientes e para normalizar a temperatura do corpo (febre) de pessoas doentes. É também conhecido como Melãozinho, Fruta-de-negro, Erva-de-São-Vicente e Fruta-de-cobra.
De suas delicadas flores é extraída uma essência floral conhecida como Momordica, que atua na solução de problemas relacionados à mente, pensamentos e consequente dificuldade de relacionamento pessoal. Essa essência floral mostrou-se eficaz para ordenar as idéias de forma clara e rápida. Atua especialmente naqueles que se encontram embaraçados, repetitivos ou ruminantes, em razão de conflitos cotidianos. Da mente às emoções e ao físico, este distúrbio pode causar falta de memória, falta de apetite, desânimo e depressão.
A conclusão é que, sob o efeito benéfico da essência Momordica, a pessoa passa a ter idéias frescas e claras.
Além dessa aplicação, a essência floral é considerada eficaz no tratamento de distúrbios como medo de se expor ou para os que se consideram feios e inadaptáveis ao ambiente em que vivem ou atuam. Atribui-se a ela a capacidade de minimizar as consequências causadas à pele e aos intestinos das pessoas que são exageradamente críticas de si mesmas, que se sentem culpadas de tudo, ou que de fato o são, por uma ação irrefletida. É também usado como paliativo por mulheres que perderam filhos através de aborto, provocado ou espontâneo.
O Melão é muito utilizado no combate a todas as doenças da pele, tais como eczemas, acne e doenças por fungos. É ótimo para os diabéticos, cura sarna, menstruação difícil e cólicas intestinais por vermes. Elimina furúnculos e, na forma de infusão, os frutos maduros, são apontados como bons para curar hemorróidas. Existe até um óleo corporal à base do extrato de Melão de São Caetano prometendo suavizar manchas e promover a hidratação da pele.
No Brasil, os frutos são consumidos principalmente pela comunidade nipo-brasileira, colhidos e vendidos verdes em feiras livres na cidade de São Paulo, onde se concentram estas comunidades. São preparados e consumidos nos restaurantes japoneses mais tradicionais. Eis aí uma receita:

Ingredientes
• 2 melões-de-são-caetano (Goya)
• 1 bloco de 300 g de Tofu mais resistente (momen dofu)
• 2 ovos
• Óleo para salada
• Sal
• Shoyo

Modo de preparo
Antes de começar o preparo desta receita, é necessário que se tire o excesso de água do Tofu. Para isso, embrulhe o tofu em uma toalha de pano colocando algo pesado em cima, formando uma espécie de prensa (não muito forte, é claro, para não esmagar o tofu). Pode-se utilizar uma forma de bolo com 4 ou 5 pratos de cerâmica dentro para servir como prensa. Deixe escorrendo por aproximadamente 2 horas.
Após esse período, corte os Tofus em quadrados relativamente grandes e frite-os em óleo para salada ou azeite. Acrescente sal a gosto e, depois de fritos, reserve.
Em seguida, retire as pontas dos melões e parta-os ao meio no sentido do comprimento. Retire as sementes usando uma colher de sopa. A seguir, corte-os em fatias finas e acrescente o sal (que tem como função amaciar o melão). Assim que os melões estiverem macios, remova o sal enxaguando-os bem.
Frite-os em uma frigideira por um bom tempo. Quanto maior o tempo de fritura, menor o gosto amargo.
Logo após, refogue os melões e o Tofu e acrescente os ovos batidos (como se fosse fazer um omelete). Faça um mexido com os ovos, melões e Tofu, acrescentando Shoyu.
Retire-os do fogo e sirva.
As ramas são usadas pelos agricultores como repelente natural de algumas pragas como o pulgão da erva-doce e do feijão. Para a extração do sumo adotam-se duas técnicas. Na primeira é utilizado um extrator para a retirada da seiva, misturando-a com álcool para ser colocada no pulverizador. A outra técnica, mais simples, não necessita do extrator. Com um quilo de ramas verdes pisoteadas e misturadas com água e meio litro de álcool, coloca-se em maceração. Após dois dias, espreme-se as ramas para retirar parte do concentrado que ficou retido. Com essa solução pode-se pulverizar a cultura agrícola. Mais recentemente agricultores iniciaram um teste no ácaro do jiló e no pulgão do pepino e do feijão macassa.
De fato, vale a pena cultivá-la. E vai um aviso aos interessados: tenho sementes e frutos congelados.
Fontes Consultadas:
http://www.aleph.com.br/pleiades/ervas/melao%20de%20sao%20caetano.htm
http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Momordica_charantia.htm
http://www.obagastronomia.com.br/melao-de-sao-caetano/
http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=27
http://www.agrisustentavel.com/ta/caetano.htm
http://www.cozinhajaponesa.com.br/v04/receitasjaponesas_d.asp?s=6&c=242

19.04.10

Permalink 09:42:35, por admin Email , 109 palavras, 33 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

Brasília 50 anos

DECLARAÇÃO DE AMOR A BRASÍLIA
Sandra Fayad

Amo teu horizonte plano,
Onde ainda há
Lobeira e Lobo-Guará.
Amo teu areal desértico
E as Pontes sobre o Paranoá.
Amo tuas árvores tortas,
Que sombreiam o Tamanduá.
Amo a saudade que sinto
Quando estou do lado de lá.
Então eu volto ao teu seio quente,
Que amamenta abundantemente
Os caminhos retos
Que ligam meus pais
Aos meus netos.

Obs: Brasília fica no Planalto Central do Brasil; Lobeira –planta em extinção da qual depende o Lobo-Guará (animal em extinção) para sobreviver; Tamanduá-Bandeira (animal em extinção);Paranoá é o Lago artificial que banha a cidade.

07.12.09

Permalink 18:39:11, por admin Email , 218 palavras, 71 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

Poesia

DOIS MIL E DEZ DESEJOS
Sandra Fayad

No Ano que vem, desejo
Que sonhes menos com felicidade
E vivas com ela uma realidade;
Quero que tenhas menos fé em dias melhores
E certezas até nos teus arredores;
Proponho que menos contemples a Natureza
E mais trabalhes em sua defesa.

No próximo Ano, desejo-te
Menos enlatados,
Mais vestes artesanais,
Menos embalagens plastificadas;
Mais trilhas, nascentes e arraiais,
Menos tragédias na TV,
Mais respeito pelos ancestrais,
Menos tramóias por um cachê,
Mais amizade pelos demais...animais.

No ano que vem, quero que tenhas
A gratificante experiência de ver
O pôr-do-sol na Praia do Jacaré;
O prazer campestre de ouvir
O piado de uma I-nha-bu-a-pé;
A grandeza de poder falar
Ao ouvido de um Chimpanzé.

No próximo ano sugiro que renuncies
À febre dos eletrônicos,
Ao luxo dos couros macios,
Às penas de aves raras:
São hábitos anacrônicos!
Anacrônicos também são
As derrubadas de árvores,
Aves engaioladas,
Cães abandonados,
Cavalos escravizados.

Atual é saber que a nossa lua
É apenas uma das milhões de luas
Que vagam por aí.
Moderno é ser gari:
Catar lixo nas ruas,
Limpar lagos e rios,
Onde bebem nossas reses;
E topar esses desafios
Duas Mil e Dez vezes.

Abraços efusivos...
(direitos autorais - Lei 9.610/1998)

01.06.09

Permalink 21:43:16, por admin Email , 764 palavras, 230 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

ÁGUAS TEMPORONAS

Por Sandra Fayad

- Não vai sair esta noite? Pergunta minha filha
- Não. Esta secura me desanima. Sinto falta de ar, alergia – respondo.
- Pelo jeito, se você não viajar para o litoral, vai ficar os próximos seis meses em casa – observa ela.
Nem respondo. Estou mal humorada.
Ligo o umidificador e a TV. Informe da previsão do tempo para o dia seguinte:

“...na Região Centro Oeste do Brasil, tempo firme com céu claro e possibilidades de chuvas esparsas em algumas áreas isoladas.”
Nem dou bola para a parte final da informação. Já estamos no dia 30 de maio de 2009 e nunca choveu no dia seguinte aqui em Brasília (pelo menos que eu me lembre...).
- Isso aí é rebate falso. Os metereologistas erraram mais uma vez ou então a emissora está querendo nos fazer sonhar, como nas novelas. A chuva se despediu de nós há mais de uma semana com umas gotinhas sem-vergonha que nem deram para apagar a poeira.
Começo a cochilar, ainda com o pensamento voltado para o áudio que ouvira pouco antes. Aquela palestra me deixou muito impressionada. As constatações de que a água já acabou em várias partes da Terra por causa da irresponsabilidade do homem e as péssimas perspectivas para os próximos quinze anos me fizeram ficar mais preocupada (*).
Desligo a TV e o umidificador e durmo. Sonho que chove. Ouço a água caindo mansamente sobre o telhado. Acordo e adormeço duas ou três vezes, ouvindo aquela sinfonia. Não sei se sonho ou se penso na felicidade das plantas e dos animais da Horta Comunitária. Estou bem no limiar entre o sono e o despertar, mas não me levanto. Pelo menos não me lembro de tê-lo feito, a menos que eu seja... sonâmbula.
Acho que desperto de acordo com o relógio biológico. Olho para o relógio de mesa que marca nove horas e cinco minutos.
- Nossa Mãe! Dormi demais. Já passou da hora de dar o café da manhã do Skipye, de me vestir de atleta e sair para a caminhada dominical no Eixão Norte. Tenho que me apressar! O sol deve estar a pino e não é bom fazer caminhada tão tarde com essa secura. Estranho! Neste horário os pássaros deveriam estar cantando lá fora...
Salto da cama e vou até a janela para olhar a rua através das persianas.
Separo as lâminas, solto–as e penso:
-Acho que ainda estou sonhando.
Abro toda a janela. Olho. Volto-me para o lado oposto do quarto. Olho novamente para fora. Passo a mão no granito sob a janela. Está molhado. Tudo lá embaixo está molhado. Significa que...
- Tan... tan... tan... tan... Está chovendo!!! Então não era sonho. Choveu mesmo a noite toda. Chuva mansa! Gostosa! Amiga!
Mudo a programação. Visto-me e vou até a parte externa da casa para sentir os pingos sobre a cabeça, cumprimento as plantas, converso com o boxer.
- Você viu, Skipye? Que delícia! Chuva. Chuva, Skipye!!!
Ele festeja comigo, abanando o rabo. Dou-lhe a refeição. Enquanto a cafeteira processa o meu cafezinho, fico olhando a rua toda molhada.
- Ah, como é bom!
Respiro melhor. Abro todas as janelas e portas para que a umidade penetre no interior da casa. Ligo os ventiladores, para tentar destruir os ácaros. A temperatura está agradável. Danço e canto. Não me contenho. Preciso compartilhar. Acordo minha filha.
- Você já viu que delícia? Isto é pura poesia!
Às 10 horas o sol começa a despontar timidamente. Quinze minutos depois já firmou. Às 10h30min saímos para a caminhada no Eixão, com o calor secando as calçadas. Não sei se digo “que bom!” ou “que pena!”. Fico calada. Não é “auspicioso” reclamar do tempo.
São duas horas de caminhada e encontros com a alegria. Todos sorriem, sem motivo aparente. Ótimo astral, estado de espírito em alta. Paz !

- Vamos almoçar todos juntos em um restaurante.
Tudo dá certo: disposição, boa vontade, harmonia, sorrisos, brincadeiras.

- Parece que vai voltar a chover.
- Oba!
- Tomara!
- Legal!
- Que bom!
Voltamos a casa. E ela recomeça mansa, bem vinda, abençoada...
Conversamos alegremente com amigos e familiares pelo telefone sobre... a chuva, é claro!
Noite do dia 31 de maio: Ah, que delícia! Que presentão! Somente nós, os candangos-brasilienses é que sabemos como isso é bom!

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/

(*) http://novuspress.com/audiosdefigueira/AnaPrimavesi/Amorosos%20sinais%20de%20alerta.mp3

02.04.09

Permalink 08:51:32, por admin Email , 113 palavras, 123 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

O CASTIGO DA ROSA

Rosa murcha mergulhada
No meio do meio copo d’água.
- Copo de vidro transparente!
Folhas cabisbaixas, amareladas
- Olham pra mesa ou pra nada?
Haste ereta, mas podre.
Pétalas cadentes, arroxeadas
Despencarão ao simples toque.
- Se não queres sujar a mesa
Não mexe! Não toca!
- Está morta?
- Essa, nem comporta
Banho de formol...
Já cumpriu seu papel.
Nasceu botão, abriu-se ao sol,
Deixou-se escolher - como eu.
Para ser usada como anzol.
Fisgou um coração solitário,
Em momento crucial.
- Pecou!
Não lhe ofertou um santuário.
Foi co-responsável por tê-lo
Confinado em um aquário:
- Adoeceu!
No confessionário
Penitência dura: Morrer!
- Mereceu?

04.03.09

Permalink 09:03:40, por admin Email , 162 palavras, 128 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

Poesia

NA DANÇA DA ÍRIS

Multidão que se acomoda, senta, levanta,
Busca o melhor ângulo para se mostrar...
Música romântica, voz afinada que canta,
Copos, bandejas, garçons zonzos a circular...

Olhares que se cruzam, descruzam, desviam,
Disfarçam, encaram sem despistar...
Batons, perfumes, cabelos em vôos vadios,
Pernas exibidas em meias, rodopiam no ar.

Mulheres e homens nas suas melhores vestes
Em busca do número que completará seu par,
No salão só meia-luz: luz de corpos celestes!
Há que conter o avanço da noite. Ela deve tardar!

Eu ali, recém-chegada, acomodando-me;
Você surgindo da penumbra, sem alarde,
Enfiando os olhos firmes dentro dos meus
Na dança da íris navegou, foi se instalar.

Depois meus lábios colados no ímpeto dos teus
Comprimiam seios e peito no aperto do abraço,
Braços se misturando como preciosos camafeus,
Na pele e nos músculos: arrepios e descompasso.
Bsb, 24/06/2008

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/

03.07.08

Permalink 08:52:48, por admin Email , 1070 palavras, 550 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

HISTÓRIA DA HORTA COMUNITÁRIA URBANA (HCU)

Por Sandra Fayad

A PREPARAÇÃO:
O espaço disponível - 200 m² - corresponde à parte frontal de três residências na Quadra 713 Norte, em Brasília, limitada aos fundos pelas casas e à frente por calçada e rua de trânsito intenso de veículos. A área encontrava-se abandonada, cheia de entulhos, restos de obras ( pedras, cimento, ferros, tinta de paredes, tinta de ferragens, vidros, plásticos), totalmente imprópria para agricultura.
O primeiro passo foi a remoção de todo o material misturado à terra e transformação do solo improdutivo em solo limpo, terminando com um pequeno período de descanso.
Em seguida, iniciamos a fase de revitalização da área, através de tratamento da terra (aplicação de matéria orgânica, poda de árvores, combate aos formigueiros e cupinzeiros existentes) . Novo descanso.
Como o solo possui uma inclinação de mais de um metro, nos seus dez metros de largura, providenciamos o seu nivelamento e formatação dos canteiros em formas e tamanhos variados, já que existem diversas árvores frutíferas e ornamentais no local.
Na seqüência, definimos os locais de plantio, de acordo com as necessidades de cada tipo de mudas ou semente, obedecendo à sua necessidade de sombreamento, luz solar, umidade, capacidade de expansão, considerando também que necessitarão resistir ao excesso de água no período chuvoso e à falta de umidade no período da seca. São duas fases bem antagônicas que afetam diretamente a produção local.

A IMPLANTAÇÃO:
Para interagir com o público e criar um ambiente convidativo à participação dos transeuntes e vizinhos que circulam na área, improvisamos uma pequena decoração e a fixação de um mural com informações sobre as plantas, reportagens na imprensa sobre a Horta Comunitária Urbana (HCU), poesias e textos afinados com a atividade; disponibilizamos formulários para cadastramento voluntário, caixa de correspondência, recipientes para doações, locais para oferta e retirada de mudas e folhagens, mediante pequenas doações em dinheiro na caixa de correspondências (auto-serviço).
Observamos também que era necessário providenciar a proteção das matrizes das plantas mais tenras e das frutas (mangas e jambos) que caem sobre a calçada e a HCU na primavera. Instalamos, então, um telado em forma de cobertura de cabana de índio (apoiado em bambus) entre a copa das árvores e o solo.
O apelo à sensibilidade das pessoas resultou na entrega à HCU de plantas abandonadas e doentes para recuperação. Estamos implantando o hospital de plantas e tem surgido demanda para a implementação do hotel para plantas, por parte de pessoas que viajam, reformam, mudam-se de residência ou ficam temporariamente impedidas de cuidar delas. Estamos analisando esta hipótese.
Na HCU, damos tratamento diferenciado para as plantas doadas. As orgânicas, que não admitem uso de agrotóxicos, e ornamentais, que admitem uso de agrotóxicos, ficam separadas e recebem atenção de acordo com sua origem e antecedentes.

A MANUTENÇÃO:
Fazemos vistoria diária com recolhimento de materiais trazidos pelo vento ou depositados na área por transeuntes descuidados, o que tem ficado cada vez mais raro. São sacos plásticos, potes, garrafas, papéis de balinhas ou bombons.
Para conquistar os animais que freqüentam a HCU: aves (pombos, sabiás, beija-flores), borboletas, calangos, lagartixas, nós lhes oferecemos alimentos como alpiste, ração, compostos e água doce.
Construímos um minhocário, com as dimensões de 2 m x 1,5 m x 0,80 m, onde os amigos da horta depositam sobras, como cascas de frutas e legumes e folhagens, para a alimentação das minhocas que já produziram considerável quantidade de húmus em uso na HCU.
Adotamos o sistema de reciclagem de vasos plásticos e de cerâmica e de garrafas pet em três modalidades: transformação em vasos para mudas, delimitação de canteiros (repelente de formigas e cupins) e embalagem para as poesias, que enfeitam o local
A HCU produz suas próprias matrizes ( sementes e mudas), que são colhidas e transformadas em novas mudas ou canteiros.
Constantemente re-avaliamos, re-adubamos, fazemos rotatividade de cultura, utilizamos a comunicação visual e desenvolvemos a sensibilidade e a percepção sutil para detecção de necessidades de cada espécie e fazemos o atendimento sutilmente solicitado pelas plantas.
Participamos de eventos, realizamos palestras e orientações pré-programadas ou não e aceitamos convites para participação em atividades afins.

A EXPANSÃO (Projetos):
a- Coleta de água das chuvas na área urbana, a partir dos telhados das casas e prédios, com canalização para reservatórios, de onde será distribuída para os pontos de irrigação, através de gotejamento e/ou pulverização, conforme a necessidade de cada área plantada;
b- Abastecimento do reservatório através de caminhões pipa, com programação sistemática de atendimento durante o período da seca;
c- Elaboração e implantação de projeto paisagístico padronizado e institucionalizado.
d- Implementação de centenas de Hortas Comunitárias Urbanas semelhantes no Plano Piloto e Cidades Satélites do Distrito Federal com extensão para todo o território nacional.
A CONCLUSÃO:
Horticultura é muito mais que um empreendimento comercial ou atividade profissional. Horticultura é um processo de integração entre os seres humanos, plantas e animais. É um hábito de vida que exige dedicação para se obter resultados a curto, médio e longo prazo, como praticar exercícios, alimentar-se adequadamente.
Horticultura Urbana ou Rural deve ser objeto de atenção e apoio institucional, logístico e técnico, sem burocracia e sem demora, sob pena de não poder mais ser viabilizado.
Águas das chuvas que correm pelo asfalto da cidade arrastam consigo todo o lixo gerado nos centros urbanos, que vão contaminar a água que consumimos nos mananciais dos rios próximos e no subsolo, provocando doenças já erradicadas, alergias e até a morte prematura. Portanto, é urgente que se pense em uma solução a curto prazo para este e outros problema, se quisermos que as duas próximas gerações cheguem saudáveis ao planeta e nele permaneçam em condições adequadas de sobrevivência e longevidade.

Neste caso, não há milagres à vista. Deve haver ações responsáveis.

Obs: matéria publicada em 02.07.2008 no Jornal Impresso “Diário de Catalão”.

04.05.08

Permalink 18:40:27, por admin Email , 154 palavras, 129 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

PARADA CULTURAL DO T-BONE

Por Sandra Fayad

O T-BONE que era só açougue,
Agora é açougue inteligente.
Inventou carne com cultura,
Organizou uma grande festa,
Mandou convite pra toda gente.

Contratou para a aventura
Livros didáticos com seresta,
Fábulas com xilogravura,
Romances de grandes poetas,
Declamando para escritores
Sobre dança e escultura.

Mas na festa do T-Bone
Convidado não vai à festa
Nem com convite pelo megafone.

A festa proposta pelo T-bone
É na parada da W3,
Com letras recitadas pelo microfone,
Com notas despencando do saxofone,
Onde o convidado - dia e noite –
Esperava um dia ter vez.

Na Parada Cultural do T-Bone
Há versos declamados pelo microfone.
Há encontros com textos e poesias
Na voz de quem nem tem telefone.
Na Parada Cultural do T-Bone
Você chega por qualquer das vias,
Entra sem tocar o interfone
E sai com livros e alegrias.

(Lei nº 9.610/98 -Todos os direitos autorais reservados)
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/

02.05.08

Permalink 18:53:47, por admin Email , 1444 palavras, 943 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

O AFRODISÍACO GUARANÁ

Em toda a história da humanidade, mesmo em época bem remota, há indicativos da preocupação com a libido. Historiadores relatam que no Egito antigo existiam poções mágicas, feitiços e rituais para encantar o sexo oposto, ou fomentar o apetite sexual quando este não se manifestasse a contento. Os segredos, guardados as sete chaves por sacerdotes e curandeiros, eram geralmente relacionadas com as propriedades afrodisíacas de certas plantas.

De acordo com a Mitologia Grega, uma das versões sobre o nascimento de Afrodite, a deusa do amor, da sexualidade e da fertilidade, é que ela emergiu do oceano em uma concha, nas praias de Chipre. Há uma lenda relatando que, em cada ponto do solo onde Afrodite tocava com os pés, nascia uma planta. A primeira a surgir no seu rastro foi a romã, que passou a ser venerada como dádiva aos homens. A romã ficou conhecida como uma das espécies “afrodisíacas”. Depois teriam surgido outras e mais outras...

Com a quebra de tabus sobre sexo e o advento de fórmulas desenvolvidas em laboratório, grande parte dos problemas com a libido foram ou estão sendo minimizados e até solucionados. Mas, ainda assim, é possível recorrer aos meios naturais, através do uso adequado de plantas, como se fazia na Antiguidade.

Neste texto eu gostaria de conversar com vocês sobre uma que é bem nacional e bastante conhecida. Trata-se do Guaraná da Amazônia.
A árvore é um arbusto de cerca de três metros de altura, em forma de cipó, com copa que varia de 9 a 12 m², muito comum nos Estados do Amazonas e do Pará. O guaranazeiro foi estudado pela primeira vez, em 1826, por Von Martius, em Maués, município que fica a 270 km de Manaus e que é considerado o berço do Guaraná.

Pesquisadores da EMBRAPA constataram em suas sementes a presença de até 6,2% de cafeína, teor quatro vezes maior que o do café, o que explica o efeito estimulante da fruta, já conhecido e utilizado pelos índios da Amazônia, pelo menos desde o século XVII, em forma de pasta como alimento e remédio. Um relato do padre Felipe Bettendorf, datado de 1669, conta sobre a frutinha que os índios transformavam em umas bolas que eles valorizavam ”como os brancos estimam o seu ouro”. O padre explica: “desfeitas em água elas dão tanta força como bebida que indo à caça um dia até o outro eles não sentem fome.”

As frutinhas vermelhas em cachos, ao amadurecer, se abrem mostrando o interior negro, em contraste com a massa branca ao redor, como se fossem olhos. Os índios explicam o fenômeno com uma lenda que é encenada em Maués (AM) todos os anos em novembro, na Festa do Guaraná. Conta a história que a planta se originou dos olhos abertos de uma jovem morta junto com seu namorado, por um raio. Eles viviam um romance proibido, por serem de tribos rivais.

Os efeitos energéticos descobertos pelos índios, acabaram por estimular o interesse pelo aproveitamento industrial do guaraná. Rapidamente chegaram à Europa informações sobre as qualidades terapêuticas da planta, provocando o interesse no seu consumo em todo o mundo.

Assim é que, em 1921, foi inventado o refrigerante à base de guaraná. O produto, transformado em símbolo do Brasil, conquistou consumidores em países como Portugal, Espanha, Porto Rico, Japão. A ampliação do uso comercial das sementes, denominadas “frutos da juventude” e incorporadas por indústrias nas áreas de farmácia e de beleza, animou milhares de agricultores da Bahia, na antiga zona cacaueira. Em menos de dez anos, o Estado se transformou no maior produtor nacional. Hoje, de acordo com os cálculos da EMBRAPA, 70% das sementes colhidas no Brasil, vão para a fabricação de refrigerantes de empresas brasileiras. Além de vender para fábricas regionais de refrigerantes, os produtores baianos atendem à demanda de indústrias farmacêuticas, de cosméticos e de produtos energéticos.

Como faziam os índios, o guaraná é valorizado como estimulante em tipos variados de produtos, como “arrebites”, cápsulas e outros produtos para praticantes de esportes.

Dentre os vários livros do PHD em botânica, pesquisador e professor aposentado da UNICAMP, Gil Felippe, destaca-se o título "No Rastro de Afrodite - Plantas Afrodisíacas e Culinária" (Ed. Senac SP e Ateliê Editorial – de 2004). O autor analisou 400 espécies de plantas consideradas afrodisíacas com o objetivo de distinguir a lenda da crença popular e daquilo que pode ser comprovado pela ciência como fator importante no funcionamento da libido, em homens e mulheres.
Nos seus estudos, o professor analisa cada uma das espécies, sua origem, denominação, gênero, família e uso na culinária, na perfumaria e na medicina. Discorre também sobre as lendas e crenças populares que cercam essas plantas, além de mostrar receitas culinárias, reunidas por ele, durante sua estadia na Escócia, onde fez especialização, bem como na sua experiência, na volta ao Brasil.

O resultado - depois dos experimentos realizados, inclusive com coelhos, e análises das substâncias que compõem cada planta -, revelou que apenas algumas das espécies podem ser cientificamente consideradas afrodisíacas.

Pois bem, o Guaraná é uma das plantas que o Professor Gil Felippe comprovou possuir propriedades afrodisíacas e que a medicina natural considera alimento capaz de revigorar as perdas orgânicas. Portanto, ele está entre os energéticos eleitos.

Durante a pesquisa a respeito do assunto, deparei-me com dezenas de receitas que utilizam o guaraná em suas diversas formas de apresentação: natural, pó, líquido. Selecionei estas para vocês, lembrando que o uso indiscriminado de remédios, mesmos os naturais, podem causar danos à saúde. Portanto, cautela e bom senso são fundamentais. É sempre bom ouvir a opinião de um médico.

Bolo de guaraná
(Site Ana Maria Braga)

Ingredientes:
- 2 xícaras (chá) de açúcar
- 4 gemas
- 150 gramas de margarina em temperatura ambiente
- 1 xícara e meia (chá) de guaraná
- 3 xícaras (chá) de farina de trigo
- 1 colher de fermento em pó
- 4 claras em neve
- 1/2 lata de leite condensado
- 1 vidro de leite de coco

Modo de Preparo:
Bata o açúcar com as gemas, adicione o guaraná, a farinha e o fermento peneirados juntos. Quando a massa estiver bem batida misture as claras em neve.
Asse em forma de buraco no meio até dourar. Em uma tigela à parte, misture o leite condensado, o leite de coco, regue o bolo ainda quente e perfurado com um garfo.
Deixe esfriar e sirva.

Torta Salgada de Legumes
(Globo)

Ingredientes:
Massa:
1 colher (chá) de sal
1/2 kg de farinha de trigo
200 g de gordura vegetal
1/2 xícara mais 2 colheres (sopa) de guaraná
Recheio de Frango:
Óleo
1 peito de frango
2 tomates picados sem sementes
Caldo de Galinha
Sal
Cebola
Cheiro verde
1 colher (sopa) de farinha de trigo dissolvida no leite
6 batatas pequenas
4 cenouras pequenas, cozidas e picadinhas bem miúdas.
1 lata de ervilha
2 ovos cozidos
Azeitonas verdes

Preparo:
Massa:
Desmanche a gordura com o sal e um pouco de farinha de trigo.
Coloque o guaraná.
Junte o restante da farinha de trigo e amasse.
Abra a massa e coloque na assadeira.
Espalhe o recheio e cubra com a massa.
Pincele com gema e óleo.
Leve para assar
Recheio de Frango:
Refogue com óleo o frango, tomates , temperos, sal, cebola, cheiro verde, 1 colher
(sopa) de farinha de trigo dissolvida no leite.
Depois coloque 6 batatas pequenas, 4 cenouras pequenas, cozidas e
picadinhas bem miúdas. Em seguida adicionar 1 lata de
ervilha, retirar do fogo e colocar 2 ovos cozidos e azeitonas.
Obs.:
Abra a massa e coloque em uma assadeira de abrir, coloque todo o recheio e leve ao forno moderado (170º).
Salpique salsinha picada antes de servir

Energia atômica
(Linux-USP)

Ingredientes:
30 ml de xarope de guaraná
50 ml de suco de laranja
Suco de ½ limão
1 pitada de pó de guaraná

Modo de fazer:
Bata no liquidificador .Leve ao freezer até congelar. Sirva em taça e complete com guaraná (refrigerante).

Ganhaste espaço entre as mais famosas
Um pouco de ti há muito faz grande sucesso
Apresentas alegrias nas relações amorosas
Rompes a monotonia, fazes enorme progresso.
Amar é como se sentir em um jardim de rosas,
Nas manhãs brilhantes ou em noites enluaradas,
Ao som de canções apaixonadas e melindrosas.

Fontes:
Livro: Greek Mytology, de Sofia Souli
Revista A Grécia – Mitos e Lendas – Ed. Ática
Fundação Joaquim Nabuco.
https://www.deere.com.br
http://anamariabraga.globo.com/
http://www.linux.ime.usp.br/
http://tvtem.globo.com/culinaria/
(Todos os direitos reservados)

15.04.08

Permalink 08:39:10, por admin Email , 1140 palavras, 318 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

Águas das chuvas

ÁGUAS DAS CHUVAS
Sandra Fayad

Manhã do último domingo, 13 de abril. A semana que o antecedeu foi a primeira do ano com clima demasiadamente quente e céu azulado na maior parte do tempo, exceto sábado, quando São Pedro acenou com algumas nuvens escuras, mas desistiu. Já que o vento levou as poucas que restaram, fui fazer minha caminhada matinal no Eixão Norte, sentindo pela primeira vez os efeitos desagradáveis do calor e da secura, que representam as sensações próprias do período da seca (de maio a outubro).
Pensei: “Este ano vai começar mais cedo”.
Uma hora depois, qual não foi minha surpresa ao olhar para o céu ao leste e perceber que de lá vinham caminhando nuvens escuras em direção ao oeste da cidade, para onde eu me dirigia na volta para casa. Parei já no final do percurso para examinar a possibilidade de aquelas nuvens desabarem em abundância sobre a Horta Comunitária com o solo já empedrando sob plantas, que já manifestavam sofrimento por insolação. Não fui bastante crédula na generosidade da natureza, até porque parecia repetir-se o fato do dia anterior. Como sou fraca em meteorologia! Parada como dois de paus a encarar o céu a cem metros de casa, senti um... dois... três... vários pingos sobre a cabeça.
O casal de pombos estacionado na fiação aérea confirmou: deslocou-se em círculos e foi pousar nos fios ainda secos mais acima. Quando percebi que a chuva ia me pegar no caminho não acelerei o passo para chegar à casa. Quis ter certeza de que não ia fugir como no dia anterior. Segui vagarosamente para garantir que chegaríamos juntas. Que delícia! Ela desabou com vontade. Já em casa, aproveitei para encher uma bacia e dois baldes nas bicas do telhado.
Pensei: “Vai servir para lavar a varanda e o canil.” E serviu mesmo! Poderia ter colhido muito mais, através de um sistema de coleta de água das chuvas, utilizando uma calha.
Esse sistema que já existe funciona assim: a água desce do telhado por uma calha e é enviada para um reservatório (caixa) que fica abaixo ou mesmo no nível do chão, passando por um filtro. Dali, é levada para um reservatório superior com o auxílio de uma bomba de recalque, de onde segue para os pontos de consumo por gravidade. A alimentação dos pontos também pode ser feita por um pressurizador ou bomba de pressão, que capta a água diretamente do reservatório inferior quando as torneiras são acionadas. Neste caso, o reservatório superior é desnecessário. O material utilizado para conduzir a água de um para outro ponto é composto basicamente de registros, canos e joelhos de pvc, de acordo com a área que se deseja irrigar.

Não é uma maravilha ter um sisteminha assim, simples e eficaz?

Ainda mais se considerarmos que o volume de água doce própria para o consumo humano é mínimo em relação ao total de água existente no Planeta.
Além disso, dados estatísticos indicam que, nos últimos 50 anos, a qualidade da água piorou consideravelmente, devido a alguns fatores como maior concentração populacional em áreas urbanas e processos de alta industrialização no campo e nas cidades. Atualmente, grandes centros urbanos, industriais e áreas de desenvolvimento agrícola com alto nível de utilização de adubos químicos e agrotóxicos já enfrentam a falta de qualidade da água, o que pode explicar a volta de epidemias já erradicadas e o aparecimento de novas doenças de pele, alergias, dengue e outras de difícil controle por parte das autoridades sanitárias e da própria população.
Vejam como tudo acontece:
Na área urbanizada, ao utilizarmos água, seja para uso doméstico ou para fins industriais, geramos resíduos, que por sua vez geram algum tipo de poluição. Um exemplo bem comum é a contaminação por escoamento de águas das chuvas. Decorre da própria urbanização (calçamentos e colocação de pisos impermeáveis fáceis de limpar). A conseqüência é que, como a água das chuvas não é mais absorvida pelo solo, segue seu curso arrastando o lixo das ruas e dos lixões a céu aberto, os detritos de esgotos e produtos químicos, carreando tudo para os mananciais e subsolo, de onde retorna ao consumo provocando as doenças.
Portanto, a poluição da água traz inúmeros prejuízos a saúde, em contrapartida ao conforto obtido pela edificação de residências “marmorizadas”.
Segundo a Arquiteta e Urbanista, Cristiana dos Santos Braga, nos países em desenvolvimento, estima-se que 80% das doenças sejam disseminadas por água poluída. Agentes causadores de doenças infecciosas são facilmente transmitidos pela água contaminada por fezes humanas ou de outros animais. Diz ainda a Arquiteta que a poluição “...por águas de infiltração pode ser bastante perigosa, uma vez que vão para os aqüíferos (¹) subterrâneos, causando uma série de conseqüências drásticas para a população que faz seu uso e para o meio ambiente. As fontes de poluição de águas subterrâneas em um meio urbano podem vir de:
- Fossas;
- Vazamentos de redes de distribuição de esgotos;
- Depósitos de lixo a céu aberto ou aterro sanitários;
- Práticas agrícolas: fertilizantes e pesticidas;
- Vazamentos de canalizações e armazenamento de produtos químicos;
- Despejo de lodo de esgotos no solo;
- Deposição e infiltração de poluentes atmosféricos;
- Intrusão de água salgada;
- Derramamentos acidentais de produtos nocivos;
- Infiltração de águas de escoamento superficial;
- Cemitérios”.
Acrescenta ainda: “Esses resíduos poluentes podem resultar na percolação (²) de microorganismos patogênicos, podendo alcançar os aqüíferos e prejudicando o seu uso para diversos fins. Um aspecto importante a se considerar no processo de infiltração da água são as fraturas em rochas consolidadas, que podem permitir a penetração do líquido a grandes profundezas ou distâncias.”

Como vimos, as águas das chuvas podem significar o oposto do que delas esperamos, se não pararmos com a geração descontrolada de lixo, especialmente nas áreas urbanas e industriais.
Com criatividade, determinação e capacidade de convencimento, poderemos fazer muito. Portanto, mão à obra!
"Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência.
A perfeição, portanto, não é um ato isolado. É um hábito." (Aristóteles)

(¹) que contém água
(²) filtragem

Fontes:
1. Manual Live Earth de Sobrevivência ao Aquecimento Global, de David de Rothschild – Editora Manole
2. Monografia de Cristiana dos Santos Braga, link: http://www.clubedopetroleo.com.br/ncom/monografias/ambiente.doc#_Toc149019939
3. http://www.ana.gov.br/

22.12.07

Permalink 23:13:29, por admin Email , 953 palavras, 273 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

O NATAL

AOS JOVENS DE HOJE

CC AOS DE ONTEM E AOS DE AMANHÃ

ASSUNTO: O NATAL

Sandra Fayad

1- UM POUCO DE HISTÓRIA

Os critérios para marcação do tempo e a definição da data de 25 de dezembro como comemorativa do Natal, ainda hoje, geram questionamentos e provocam especulações.

Existem registros de que, há mais de quatro mil anos na Suméria, Babilônia e Egito, se contava o tempo com base nos ciclos lunares, sempre com a definição do número de dias do ano civil em torno de 365. Outros parâmetros como o Sol, o Planeta Vênus e as quatro estações também serviram a esse propósito. O calendário dos Maias (2000-1500 AC) é um exemplo disso.

Segundo o Prof. Renato Las Casas, atualmente existem cerca de quarenta calendários no mundo, dos quais se destacam o Islâmico, o Hebreu e os Cristãos, que se subdividem em Juliano e Gregoriano. Este último é o que está incorporado oficialmente a nossa vida desde 24 de fevereiro de 1582 , quando o Papa Gregório XIII, acolhendo as decisões do Concílio de Trento, o instituiu por decreto. O autor é o astrônomo napolitano Aloysius Lilius.

No entanto, o calendário cristão existe desde o ano 532 da nossa era (ou ano 248 da era Diocletiana), quando Dionysius Exiguus, um calculista do Papa, que fazia os complicados cálculos para a determinação da Páscoa, sugeriu que a contagem do tempo tivesse início no ano do nascimento de Cristo. Não se sabe dos cálculos, provas, etc. que Dionysius usou para fixar o nascimento de Cristo em 532 anos atrás, no dia que passou a ser 25 de dezembro do ano um (erroneamente, segundo o professor Las Casas).O início da era Cristã ficou sendo, desta maneira, 359 dias antes daquele que Dionysius presumiu ser o dia do nascimento de Cristo.

Consta da Enciclopedia de la Religión Católica declaração que “O motivo de a Igreja Católica escolher essa data para a festividade parece ser a tendência de substituir festividades pagãs por festividades cristãs...”. Sabemos que em Roma, naquela época, os pagãos consagravam 25 de dezembro como o dia da celebração de natalis invicti, ou seja, o nascimento do ‘sol invencível’.
A Enciclopedia Hispánica também observa: “A data de 25 de dezembro para a celebração do Natal não resultou de cálculos precisos do nascimento de Jesus, mas de dar caráter cristão às festividades do solstício do inverno, que eram celebradas em Roma.” De fato, como os romanos celebravam o nascer do sol no céu do inverno, com festança e troca de presentes, as autoridades da igreja relutavam em acabar com algo tão popular. Assim, resolveram dar um caráter cristão à celebração por chamá-la de nascimento de Jesus, em vez de nascimento do sol.

2- A MENSAGEM

Há muito tempo, o dia 25 de dezembro é de qualquer forma um dia festivo, em que as pessoas se alegram e se presenteiam. Associado Jesus Cristo, que ninguém duvida que nasceu, pregou, modificou comportamentos e influenciou os destinos da humanidade, há que repensar também a nossa própria existência. Nela, seria bom que considerássemos aquilo que estamos fazendo com cada momento da vida em família e em sociedade, já que somos efêmeros e dispomos de pouco tempo para agir, modificar, aperfeiçoar.

Desta vez, quero enviar uma mensagem aos mais jovens, àqueles que estão estudando, buscando um lugar melhor no mercado de trabalho, crescendo enquanto construtores do futuro para si e para seus descendentes.

A esses, peço que olhem para baixo enquanto caminham, para confirmar que sob seus pés não há ninguém que possa sair ferido durante a troca de passos; que olhem para as laterais enquanto correm, para evitar que o movimento ágil dos seus braços fortes derrube crianças e velhos frágeis; que, de vez em quando, olhem para trás para ver se não ficou ninguém importante caído, sem forças para erguer-se e acompanhá-los; que olhem para cima, para que em seus saltos olímpicos não se choquem com o sol e se derretam com seu calor.

Alguns de vocês podem desprezar os padrões de comportamento tradicionais relacionados com valores familiares e sociais, cultivados quando a mobilidade e as mudanças eram mais lentas. A esses sugiro que tentem criar uma nova ordem. Mas fundamentem seus princípios no amor ao próximo, sob pena de “não pegar”, porque, em toda a história da humanidade e para sorte nossa, a única regra que ainda não caducou é essa.

Ser feliz é mais que lutar por um ideal, que construir uma vida de sucessos, que festejar, que estar “in” ou “on”. É estar também “out”. Estejam fora da indiferença em relação aos que não fazem parte da sua turma; fora da alienação ao que se passa dentro da sua própria casa; fora da sensação de ser todo poderoso, invencível como querem sugerir os sofisticados jogos eletrônicos e os filmes de Hollywood; fora da convicção de que a sua geração é a única a marchar com o passo certo em toda a história da humanidade.

Dessa forma, vocês estarão deixando também sua marca registrada, legível e admirada, em algum ponto do Planeta, como fez Jesus Cristo há dois mil anos, através de exemplos e discursos sobre amor, respeito e solidariedade como norma a ser praticada por todos, em todos os pontos da Terra.

BOAS FESTAS!

21.10.07

Permalink 19:23:42, por admin Email , 1385 palavras, 717 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

VEADO

O veado é um dos animais que geralmente se sai mal nas fábulas e contos da literatura infanto-juvenil.
Uma delas – O Veado e a Onça – é bem nacional. Criada pelos cineastas Cláudio Galperin e Cao Hamburger, foi recontada, em livro, por Ana Maria Machado e adaptada em vídeo-animação de curta metragem por Raquel Pedreira.

Na versão do livrinho a história se passa assim:
“Há muitos anos, um veado resolveu construir uma casa e foi logo achando um terreno bom, perto do rio. Trabalhou o dia inteiro e, cansado, voltou para casa dos pais para dormir. Na mesma noite, uma onça apareceu por lá e resolveu fazer sua casa no mesmo local! Trabalhou a noite inteira e foi descansar na casa de seus pais. Durante o dia o veado trabalhava e, à noite, a onça. Tudo isso até o dia em que a casa ficou pronta; os dois decidem morar juntos, já que construíram a casa juntos... será que isso vai dar certo?”
Já no filme de Raquel Pedrosa, baseado no texto original, a mesma história envereda por outro caminho:

“Sendo Veado bicho de hábitos matutinos e Onça bicho de hábitos noturnos, juntos, constroem uma casa. Veado, devoto de Santo Antoninho, acredita estar sendo ajudado pelo santinho. Onça, devota de Padre Cícero, acredita estar sendo ajudada pelo Padim. Com a casa pronta, os dois se mudam e descobrem que a construíram ao mesmo tempo. Vai daí que resolvem morar juntos e dividir as tarefas”.

Nas quatro fábulas de Esopo, em que o veado figura como personagem principal, o coitado sempre se sai mal e morre nas mãos de caçadores ou de outra fera, ao tentar escapar da morte. Vejam esta, por exemplo:

“Um veado, fugindo de caçadores, chegou à entrada de um antro onde estava um leão. O veado entrou ali para se esconder, mas foi apanhado pelo leão e, enquanto este o matava, ele dizia: “Como sou infeliz, eu que, fugindo dos homens, joguei-me a uma fera.”
Moral da história: Assim, alguns homens, por medo de pequeno perigo, atiram-se eles próprios a outro maior.

Extinto em alguns pontos da Terra e ameaçado de extinção em outros, esse animal vive em regiões de clima temperado, na Europa, Ásia, Nova Zelândia, Norte da África e América. Geneticamente é classificado como mamífero, da família dos cervídeos.

É herbívoro, alimentando-se de folhas, brotos, frutos, sementes e líquenes (organismo formado por fungos). Possui hábitos crespucular/noturnos. Sua gestação é de 225 dias (9 meses), produzindo um filhote de cada vez, como ocorre com os humanos. O nascimento dos filhotes se dá em locais e épocas em que existe maior oferta de alimentos, no final das enchentes do Pantanal ou após as queimadas naturais, quando ervas, gramíneas e arbustos começam a rebrotar.
Os machos possuem esgalhos ou galhadas no crânio que se renovam anualmente e que servem de armas nos combates contra outros machos e auxiliam no momento do acasalamento.

A hierarquia social é determinada através de disputas nas quais os machos empurram seus adversários com os chifres, numa prova de força. Esta disputa embora não tenha por objetivo atravessar o corpo do adversário, pode causar perfurações. No entanto, é comum a quebra de algumas pontas dos chifres.

Normalmente o veado é solitário, mas, dependendo da espécie, anda em pequenos grupos.

Extremamente ágil, pode correr a 70 km/h e pular obstáculos sem diminuir a velocidade. Os saltos são suficientes para cruzar pequenos rios; quando não é possível, atravessam a nado com facilidade.

Há várias espécies ameaçadas de extinção pelo fato de sua carne ser considerada uma especiaria.

A maior espécie existente na América do Sul é o cervo-do-pantanal, que mede cerca de dois metros de comprimento e pesa trinta quilos, enquanto que as demais espécies são cinqüenta centímetros menores, mas podem chegar a 40 quilos, com até um metro de altura.

No Cerrado Brasileiro, as espécies mais conhecidas são o Veado-mateiro (Mazama americana), o Veado-catingueiro (Mazama gouazoupira) e o Veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus).

Nesta região, alimenta-se essencialmente de gramíneas, não competindo com as gramíneas preferidas pelo gado, pois come ervas medicinais como o alecrim-do-campo, o assa-peixe, o capim-favorito e as vagens de barbatimão, muito comuns na área.

Pesquisadores comprovaram que o Veado Campeiro, bem como as demais espécies que vivem no Centro-Sul do Brasil, encontram-se com sua população bastante reduzida por causa da caça, da febre aftosa (transmitida pelo gado), das queimadas e da perda do habitat natural, decorrente da ocupação agropecuária do Cerrado e dos Pampas. No Distrito Federal, onde o crescimento populacional desordenado do Entorno e dos condomínios locais fugiu ao controle administrativo, o acúmulo de lixo, o tratamento inadequado do solo e estradas destroem os corredores ecológicos e ameaçam os únicos refúgios desta e de outras espécies da região. Em 18 de maio de 2003, o Correio Brasiliense publicou matéria sobre a degradação ambiental, fazendo uma denúncia importante e esclarecedora a respeito do assunto.
Transcrevo aqui um trecho da reportagem para que os leitores percebam a gravidade da situação:

“As três principais unidades de conservação do Distrito Federal — Parque Nacional, Estação Águas Emendadas e Área de Proteção Ambiental Gama/Cabeça-de-Veado — estão se tornando ilhas inóspitas onde a fauna e a flora tentam resistir às ameaças de extinção. O bicho homem, com seus condomínios, lixos e carros, rouba a liberdade de ir e vir de mamíferos, répteis, insetos e pássaros. Impede, ainda, as trocas genéticas entre as plantas”.

De lá para cá, a situação piorou e muito. Mais grave ainda é que a maioria das medidas propostas por técnicos para contenção e recuperação do solo, da vegetação e dos mananciais esbarram nos conhecidos interesses pessoais e eleitoreiros, caindo no vazio.
A despeito disso, existem aqui e ali ações para preservar esse mamífero como, por exemplo, a notícia do nascimento, em 07 de abril de 2007, de um veado muntjac da China albino, segundo exemplar da espécie no mundo com essas características, no Dusit Zoo, em Bangcoc, Tailândia. A novidade, guardada a sete chaves durante quase dois meses, só foi divulgada pela imprensa em 29 de maio. Tudo porque se trata de uma especialidade: é um veado albino, que só pode ser encontrado nas selvas da Índia, China e Indonésia, como uma agulha no palheiro. Ele é conhecido pelo chiado que emite quando se sente acossado, muito semelhante ao latido de um cachorro.
Também aqui, conforme noticiado recentemente pela Agência Brasil – Abr,foi identificada outra espécie rara e ameaçada de extinção. Trata-se do Bororó-de-São-Paulo (Mazama bororo). O trabalho de identificação foi desenvolvido pelo médico-veterinário e doutor em genética, José Maurício Barbanti Duarte, do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), da Unesp, campus de Jaboticabal. O exemplar, recolhido ao zoológico de Sorocaba (SP), deve ter seu registro homologado pelo Ibama simultaneamente à entrada na lista oficial de animais ameaçados de extinção, organizada pelo próprio instituto.

Se você que lê meus textos, vem meditando sobre a sobrevivência da fauna e da flora da sua região, que estão intimamente vinculadas à sua própria sobrevivência e a de seus descendentes, sugiro que siga o conselho de São Francisco de Assis:
“Comece fazendo o que é necessário; depois o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível.“

Vives a comer ervas a saltar da terra à estratosfera;
Enfrentas assustado e temeroso impiedosos caçadores
A apontar-te armas calibradas. Abatem-te com esfera,
Deliciando-se depois da tua fragilidade na fuga.
Oxalá como astros, escapasses pelos bastidores!
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/
Fontes complementares de pesquisa:

1.Correio Brasiliense-18/05/03
2.http://www.suaturma.com/secao/envia_email_materia.asp?IdArea=1&IdMateria=1882
3.http://www.radiobras.gov.br/ct/2001/materia_141201_1.htm
4.oglobo.globo.com/ciencia/mat/2007/05/30/295957578.asp

Direitos Autorais Reservados (Lei nº 9.610/98)

01.10.07

Permalink 20:36:02, por admin Email , 109 palavras, 174 views   Portuguese (BR)
Categoria: Coluna Sandra Fayad

Poesia

VENTOS NO CIBERESPAÇO
Sandra Fayad

Hoje os ventos estão me acenando da janela.
Anunciam que dos céus virá água potável,
Para abrandar a seca, aguçar nossa quimera
Em poesias por um tempo leve, saudável.

Se vamos vivê-lo? Não sei se o viveremos.
Parece faltar tempo para vê-lo acontecer,
Embora vejamos acelerar o prazo que temos
Em transformações, sem tempo para absorver.

Até os ventos ingressaram no ciberespaço.
No alto, as nuvens nem se formam mais.
Segue a poeta acelerada, em descompasso,
Sem solo sob os pés ou céu para seus ais...

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/

Projetos Culturais T-Bone

Este BLOG é um espaço aberto aos amigos convidados pela T-Bone para publicar seus textos de temas livres, além das notícias do dia-a-dia da ONG. Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo publicado. Boa leitura! Luiz Amorim

Setembro 2010
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
 << <   > >>
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30    

Busca

Quem está online?

  • Outros usuários: 3