Arquivos de Fevereiro 2009

09.02.09

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Categoria: Coluna do Luiz Martins

Poesia

Roda de Samsara ( * )


No meu tempo de menino,

Cachorro era cachorro

E menino um pouco mais.

Cachorro doente era lixo;

Menino, entre os animais.

Hoje, todo mundo é gente,

Uns mais gente que os outros.

Agora, que bicho sente,

Tem direito até a astrólogo,

Clínica e pronto socorro.

Um poeta laureado ( ** ),

Mas que já saiu de cena,

Escreveu lindo poema

Sobre o céu dos animais,

Onde repousam suas almas.

Importante é quem se ama,

Pois todos iremos um dia,

Seja gente, planta ou bicho,

(Para todos há um nicho)

No céu dos céus, o Nirvana.

Luiz Martins da Silva

* Samsara – segundo o Dicionário Houais:

2 Rubrica: filosofia, religião.
no budismo, série ininterrupta de mutações a que a vida é submetida, espécie de ronda infernal de que o indivíduo só se liberta quando alcança o nirvana

** James Dickey (1923-1997) norte-americano – dele já traduzi e publiquei (na revista Bric-à-Brac) o seu O céu dos animais.

01.02.09

Permalink 22:18:16, por admin Email , 273 palavras, 146 views   Portuguese (BR)
Categoria: Diário Virtual

Poesia

Tanto mar

De frente para o espelho, fazendo um nó na canga de praia, lembro-me: enrolei um sarongue no corpo e fui ao carnaval. Ou seria sarong? Não estou certa, sei que é um pano de vestir típico de algumas regiões da Oceania e, inspirado nele, fiz um dia uma fantasia e fui ao baile. O que encanta no carnaval são as infinitas possibilidades. Poder pintar-se, mascarar-se, desnudar-se. Poder brilhar, brilhar, brilhar.

Vozes cantando em uníssono espantam os pensamentos. Corro à varanda e vejo as costas molhadas dos soldados marchando e cantando no asfalto, na chuva que encobre a barra do tempo, no encontro entre céu e mar. Esse verso é recorrente, penso, como recorrente é o mar em meu coração. Ouvir seu barulho é assossegar, corpo e espírito totalmente harmônicos. Olho de novo, e estiara. Um frígido sol por entre as nuvens ilumina a praia. A barra ainda é escura, mas está clareando, penso.

“Tanto mar, tanto mar,

sei também quanto é preciso, pá,

navegar, navegar…”

Vem-me à memória a canção de Chico Buarque, o compositor carioca. Porque será que o mar emociona? Pergunto-me. Pela grandiosidade. Pela infinita beleza. E por poder ao vê-lo sonhar, como o faço agora a perder o olhar ao longe no horizonte onde o mar é mais distante.

Sarongue - segundo o Dicionário Aurélio, pedaço de tecido, ordinariamente de cores vivas, usado sobretudo pelas mulheres dalgumas regiões da Oceânia para cobrir o tronco e a parte superior das coxas.

Por Amneres

Gostou da poesia? Clique no link e acesse o blog da autora: http://www.poesiaemtemporeal.com/

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Este BLOG é um espaço aberto aos amigos convidados pela T-Bone para publicar seus textos de temas livres, além das notícias do dia-a-dia da ONG. Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo publicado. Boa leitura! Luiz Amorim

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